Egito quis censurar dados sobre morte de estudante italiano

ROMA, 04 MAI (ANSA) - Um e-mail para uso interno dos representantes do Ministério do Interior do Egito foi "vazado" para jornalistas do país e nele é possível verificar que o governo local quis "censurar" as informações sobre diversos casos criminais, entre eles, o assassinato do italiano Giulio Regeni.   

O jornal "Corriere della Sera" transcreveu parte da mensagem e do documento de 130 páginas que continha as informações secretas. Segundo a publicação, os dados sobre Regeni estão entre as páginas 101 e 118 e mostram uma conversa enviada para algum ministro ou altos representantes do ministério.   

"Visto o grande interesse da imprensa sobre o caso da morte do estudante italiano Giulio Regeni, na sequência da localização de seus pertences pessoais na casa de uma das irmãs de um dos membros da quadrilha criminosa no sequestro de estrangeiros...   

aconselha-se coordenar as ações com o senhor Procurador-Geral da República para vetar as publicações sobre passos específicos do caso. Pede-se para informar os esclarecimentos necessários sobre os passos a serem completados", transcreve o jornal italiano.   

Ainda não está claro se o email foi enviado "acidentalmente" para os jornalistas ou se o vazamento é fruto da ação de algum grupo que luta contra o governo do Egito. Pouco tempo depois do suposto vazamento, os representantes do setor de comunicação pediram para "descartar" o material que havia sido enviado por "erro técnico".   

Porém, o caso reacendeu o alerta de que os investigadores egípcios, por ordens diretas do governo, está escondendo informações sobre o que pode ter ocorrido com o pesquisador italiano. A desconfiança é tão grande que, no dia 8 de abril, a Itália convocou seu embaixador no Cairo para esclarecimentos - fato visto na Diplomacia como muito grave.   

Regeni estava no Cairo para desenvolver uma tese acadêmica sobre os sindicatos e sobre as organizações sociais egípcias após a revolução que ficou conhecida como "Primavera Árabe", ocorrida em 2011 e que levou à queda do presidente Mohammed Morsi.   

No dia 25 de janeiro deste ano, o estudante desapareceu enquanto ia de metrô para encontrar com um amigo próximo ao local das manifestações pelos cinco anos da revolução, mas Regeni nunca chegou ao café. No dia 3 de janeiro, seu corpo foi encontrado em uma vala em uma estrada deserta do Cairo com marcas de tortura - incluindo o corte de parte de suas orelhas e a falta de duas unhas.   

Por causa dos tipos de lesões encontradas na autópsia, os jornais internacionais - especialmente os dos Estados Unidos - acusaram o serviço secreto do Egito de ter confundido Regeni com um espião internacional e tê-lo matado.   

Porém, o governo do presidente Abdel Fattah al-Sisi nega qualquer envolvimento no caso e chegou a acusar um grupo criminoso que sequestra estrangeiros pelo rapto e morte do italiano - em uma versão que não convenceu nem a mídia nem as autoridades italianas. Todos os cinco membros dessa quadrilha foram mortos em uma ação policial.   

Até abril, duas equipes de investigações - uma da Itália e outra do Egito - analisavam o caso em "conjunto", mas com os constantes pedidos das autoridades italianas em obter dados sigilosos não sendo atendidos, a relação foi piorando até a convocação do embaixador italiano e o "fim" da parceria.   

Nesta quarta, no entanto, dados telefônicos de 13 cidadãos egípcios detidos por suspeita de participação no caso foram entregues por juízes do Cairo para a Procuradoria de Roma, que lidera as investigações pelo lado italiano. A entrega realizada hoje tem como base um pedido efetuado no dia 14 de abril.   

Já o jornal "La Repubblica" informou que nas poucoas informações cibernéticas enviadas para a Itália foi possível identificar que o e-mail de Regeni foi acessado por um aparelho móvel cerca de um mês após a morte do italiano. Para identificar o ip da máquina que fez o acesso, os italianos pediram ajuda do Google.   

- Nova reunião: Apesar da reunião entre os dias 7 e 8 de abril não ter apresentado nenhum resultado concreto, foi agendado um novo encontro no Cairo entre as duas equipes de investigação para os próximos dias. O convite oficial para os investigadores italianos partiu do procurador-geral do Egito, Ahmed Nabil Sadeq, e a viagem do grupo está programada para o fim de semana.   

(ANSA)
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