Grupo quer usar DNA de Da Vinci para entender mente de gênio

MILÃO, 5 MAI (ANSA) - Descobrir qual era o DNA de Leonardo Da Vinci: essa é a técnica que será utilizada para conhecer o gênio de perto, conseguindo revelar, há cinco séculos de distância, muitos dos seus segredos.   

Uma vez identificado o genoma do italiano, será possível desvendar coisas relacionadas ao seu aspecto físico, às condições da sua saúde, aos seus hábitos de alimentação e à qualidade da sua visão.   

A ideia é do "Leonard Project", um grande consórcio internacional que desde 2014 une geneticistas, historiadores da arte e antropólogos da Itália, França, Estados Unidos, Canadá e Espanha, que tem como objetivo conhecer a verdadeira história de um dos maiores gênios do renascimento.   

Após a complexa reconstrução da árvore genealógica da família de Da Vinci, que conseguiu identificar 41 descendentes diretos e ainda vivos, inicia-se agora a caça aos traços biológicos escondidos em tumbas e pinturas que podem ajudar a elaborar o perfil genético de Leonardo até 2019, ano do aniversário de 500 anos da sua morte. O projeto foi descrito em um número especial da revista "Human Evolution".   

"Ter reconstruído a árvore genealógica de Da Vinci foi um passo fundamental", explicou o diretor do Museo Ideale Leonardo Da Vinci, Alessandro Vezzosi.   

"Acima de tudo nos permitiu descobrir coisas inéditas da sua família que condicionaram a sua formação, como o fato de que o seu avô não era um simples camponês, mas um personagem novo para se descobrir que tinha contatos em Avignon (França), Barcelona, Valência e Maiorca (Espanha)", afirma Vezzosi.   

"Em segundo lugar, a árvore genealógica nos permitiu criar as condições necessárias para a pesquisa do DNA, já que com ela nós identificamos 'os depósitos biológicos', de parentes e descendentes, de quem será possível obter o DNA para confrontar com o de Leonardo", explicou o italiano.   

Os pesquisadores estarão em várias frentes: obtidas as autorizações necessárias, trabalharão na antiga tumba da família Da Vinci em Florença, nos supostos restos mortais do gênio sepultados no castelo de Amboise, na França, e nos restos da mãe de Leonardo, Caterina, em Milão. O projeto também envolverá o Craig Venter Istitute, centro californiano fundado pelo "pai" do mapa do genoma humano (Craig Venter), que colaborará na pesquisa de eventuais traços biológicos deixados por Leonardo em suas pinturas e desenhos.   

Os pesquisadores já estão procurando criar uma técnica que no futuro poderá se tornar útil na luta contra a falsificação das obras de arte. (ANSA)
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