Papa ganha prêmio Carlos Magno por defender valores europeus

CIDADE DO VATICANO, 06 MAI (ANSA) - O papa Francisco recebeu nesta sexta-feira (06), em cerimônia no Vaticano, o prêmio "Carlos Magno", entregue pela União Europeia àqueles que se destacam na defesa dos valores europeus. O Pontífice recebeu a premiação das mãos do presidente do Comitê Diretor do prêmio, Jurgen Linden, e do prefeito de Aachen, Marcel Philipp.   

A cerimônia de entrega contou com a presença dos principais líderes da União Europeia - o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, do Conselho Europeu, Donald Tusk, e da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker - além do primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, e da chanceler alemã, Angela Merkel.   

Durante seu discurso, Schulz lembrou dos "egoísmos nacionais" que querem que "mais dividir do que unir" a Europa em seu desafio "épico" com a crise imigratória. "Desde a Segunda Guerra Mundial não víamos tantas pessoas em fuga em todo o mundo. O medo é compreensível, mas na política, ele é um péssimo conselheiro", destacou o líder do Parlamento.   

"Esquecendo completamente a história, 25 anos após a queda da Cortina de Ferro, alguns querem que a Europa construa novos muros, colocando em risco uma das maiores conquistas europeias, a liberdade de circulação",disse Schulz em seu discurso contra os governos nacionais que propõem tanto a construção de barreiras físicas nas fronteiras, bem como a suspensão do Tratado de Schengen.   

Por diversas vezes, seja em eventos religiosos ou com representantes políticos, Jorge Mario Bergoglio sempre criticou a construção de muros entre os países e entre as pessoas. A preocupação com a questão imigratória foi tema tanto de suas visitas aos países europeus como aos Estados Unidos e ao México, onde pediu aos governantes que não fechem as portas para aqueles que fogem das guerras, da miséria e da violência.   

"É próprio pela mensagem contra muros que hoje o papa Francisco é condecorado com este prêmio. Argentino, filho de imigrantes italianos, de postura humilde e calorosa - que consegue conquistar a simpatia de pessoas de todos os credos e religiões.   

Este é um Papa que protege a Europa do exterior de maneira genuína quando afirma que a Europa que protege, defende e cuida do homem é um ponto de referência precioso para toda a humanidade. Sua Santidade nos convida a voltar para nossos valores europeus e a nós mesmos", ainda discursou.   

Schulz ainda lembrou sobre as três famílias de refugiados sírios que o líder católico levou para o Vaticano após a visita à ilha grega de Lesbos - uma das principais portas de entrada dos imigrantes ilegais na União Europeia. Para o líder europeu, com o gesto, "o Papa demonstrou, sobretudo, aos governos que rejeitam receber refugiados muçulmanos em seu país cristão o que são a solidariedade e a humildade". A indireta foi para os países do leste europeu que alegam que receber muçulmanos "mudaria" a cultura local.   

O Prêmio Carlos Magno, que em 2004 também foi concedido ao papa João Paulo II, é entregue desde 1988. O sucessor de Bento XVI foi escolhido como vencedor da premiação no dia 25 de novembro do ano passado durante sessão do Parlamento Europeu. Naquele dia, o Pontífice fez um discurso onde pediu que a Europa "envelhecida" superasse a crise e as tensões para voltar a ser "referência para a humanidade". (ANSA)
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