Contra muro austríaco, black blocs protestam em Brennero

ROMA, 7 MAI (ANSA) - Cerca de 500 black blocs e anarquistas entraram em confronto neste sábado (7) na cidade de Brennero, na fronteira da Itália com a Áustria, durante um protesto contra a construção de muro proposto por Viena para impedir a passagem de imigrantes e refugiados. A maior parte dos manifestantes veio de trem de zonas da Itália, Alemanha, Áustria e Espanha. Com os rostos cobertos e vestidos de preto, eles lançaram explosivos e objetos contra a polícia, que reagiu com bombas de gás lacrimogêneo. Os manifestantes gritavam slogans de "No Borders" e Destruindo barreiras". Dezenas de pessoas foram presas e ao menos um agente de polícia se feriu nos confrontos. Um carro também foi queimado. Neste sábado, o novo ministro do Interior da Áustria, Wolfgang Sobotka, garantiu que o país desistiu de construir o muro e afirmou que Viena está até disposta a relaxar os controles na fronteira "se a Itália fizer a sua parte". "Em Brennero não haverá nenhum muro e a fronteira não será fechada. Se a Itália cumprir sua tarefa, não será necessário nem implantar os controles", disse. "Mas a Alemanha pode controlar o fluxo para a Áustria, então por que a Áustria não pode fazer o mesmo com a Itália?", comentou. Por estar localizada no Mar Mediterrâneo e próxima de países do norte africano, a Itália é uma das principais portas de entrada de imigrantes e refugiados. Muitos deles seguem viagem por rotas europeias para pedir refúgio em outras nações. O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, que sempre defendeu o conceito de "responsabilidade compartilhada" na Europa com a crise imigratória, tinha prometido à Áustria promover medidas de estabilidade e infraestrutura na Líbia e em outros países africanos de onde partem os refugiados. "A Áustria dá pleno apoio ao plano de Renzi. E desejo que a Comissão Europeia se esforce com a crise imigratória na mesma medida que faz com os problemas econômicos", disse o ministro de Viena.   

A ideia da construção do muro foi divulgada em abril. A ideia era criar uma barreira física de 250 metros para bloquear uma rodovia e uma estrada federal. Depois de várias negociações, a Áustria cedeu à proposta italiana de adotar medidas estruturais para gerenciar a crise, em vez de construir o muro.   

"A posição da Áustria é irracional. Está errado pensar que um muro pode resolver o problema", disse o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, em entrevista ao jornal italiano "La Stampa". "No ano passado, um milhão de pessoas entraram na Europa. Se elas fossem distribuídas entre os 508 milhões de habitantes, dos 28 Estados-membros, não provocariam nenhum problema", argumentou Schulz. (ANSA)
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