Chavista acusa oposição de fraude em referendo contra Maduro

CARACAS, 10 MAI (ANSA) - O vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Jorge Rodríguez, disse que houve "indícios de fraudes" nas assinaturas entregues ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) como o primeiro passo para convocar o referendo revogatório contra o presidente do país, Nicolás Maduro.   

Segundo Rodríguez, ao menos 11% das tabelas com assinaturas estavam incompletas, sem nomes completos, impressões digitais ou falta de números da carteira de identidade. Ainda teriam sido localizadas duas assinaturas de pessoas que estão mortas.   

"Cometeram fraudes contra a lei novamente e alteraram os requisitos que o Conselho, o poder eleitoral e a Constituição exigem. Tudo isso é uma operação política. Não haverá referendo porque não há tempo e não há assinaturas. Estão apenas procurando uma desculpa para agitar as ruas e trazer violência", disse Rodríguez em uma coletiva de imprensa.   

Apesar dos protestos de fraude, a oposição tem um número de assinaturas muito superior ao chamado 1% necessário. Pela lei venezuelana, são necessárias 195.721 assinaturas para avançar para a segunda fase do processo. No dia 3 de maio, 23 dias antes do prazo final concedido pelo órgão, a oposição enviou mais de 1,85 milhão de firmas ao CNE para dar início a ação.   

O político, que também é prefeito do distrito de Libertador, que fica na capital Caracas, informou que não recebeu nenhuma solicitação de protesto contra o governo, conforme a oposição anunciou nas redes sociais. Segundo Rodríguez, para esta quarta-feira (11), há apenas uma manifestação pró-Maduro marcada na capital do país.   

A fala do expoente do PSUV contradiz a convocação feita por um dos líderes da oposição, Henrique Caprilles, através do Twitter.   

"Mobilização desta quarta será nacional a todos os [locais que contam com sedes do] CNE, incluindo Caracas", postou.   

Caprilles convocou os protestos como forma de pressionar o CNE a divulgar os locais para que a segunda fase do pré-referendo seja realizada. De acordo com os opositores, o órgão eleitoral não está cumprindo os prazos determinados por lei para dar andamento ao processo.   

Desde quando as caixas com os formulários foram entregues, há uma divergência sobre esse prazo: os opositores dizem que o CNE tem cinco dias para validar as firmas; já a situação diz que é preciso esperar o fim do prazo de 30 dias dado para o recolhimento de assinaturas para aí contar o prazo de cinco dias. A data final para o recolhimento de assinaturas era no dia 26 de maio.   

Na segunda etapa, os opositores precisam recolher assinaturas equivalentes a 20% do "padrão eleitoral", o que dá cerca de quatro milhões de firmas. Caso consigam avançar nesta fase, a Justiça convocará o referendo revogatório para que a população decida se tirará ou não Maduro do poder.   

A pressa da oposição também se justifica pelo fato de querer que todo o processo seja realizado ainda neste ano. Isso porque, caso a votação popular fique para o ano que vem e o não a Maduro vença, o presidente deixará o posto para seu vice, Aristóbulo Istúriz, que comandará o país até as próximas eleições em 2019.   

"Se o referendo revogatório não acontecer neste ano, ele não tem sentido. Não nos interessa um mesmo governo. Ou é este ano ou não haverá revogatório", disse Caprilles em uma entrevista à mídia local. (ANSA)
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