'Não jurei sobre o Evangelho', diz Renzi sobre união gay

ROMA, 12 MAI (ANSA) - No dia seguinte à aprovação do projeto que autoriza a união civil entre gays na Itália, o primeiro-ministro Matteo Renzi rebateu críticos da nova lei e disse nesta quinta-feira (12) que fez seu juramento com a mão na Constituição, não no Evangelho.   

A iniciativa enfrentou forte resistência de partidos conservadores e até mesmo dentro da ala católica do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), sigla liderada pelo premier. A capital do país, Roma, abriga o Vaticano, que ainda exerce forte influência na política italiana.   

"A atitude negativa de parte da hierarquia e de parte do mundo católico era obviamente esperada. Eu sou católico, mas faço política como laico. Jurei sobre a Constituição, não sobre o Evangelho", declarou Renzi, em entrevista ao programa "Porta a Porta", principal talk show de política do país.   

No entanto, o primeiro-ministro ressaltou que respeita quem não concorda com ele. Nesta quinta, o "Avvenire", maior jornal católico da Itália, publicou um editorial pedindo para os que são contra a lei da união civil gay "resistirem" e barrarem novas concessões aos homossexuais, como a possibilidade de adoção e a equiparação ao casamento, itens que foram sacrificados pelo PD para que o projeto pudesse ser aprovado.   

"As possibilidades de fazer resistência por parte de quem luta pela família - que muitos definem como 'tradicional' e que nós, com a Carta Magna na mão, preferimos chamar de 'constitucional' - podem ser diferentes e utilmente criativas", diz o texto.   

Enquanto isso, partidos de direita já começam a se organizar para submeter a lei a referendo.   

Por sua vez, Renzi afirmou que está preparado para sofrer uma queda de popularidade por conta da união civil gay, faltando cerca de quatro meses para o referendo sobre as reformas constitucionais que, na prática, decidirá se ele continua ou não no governo.   

"Se uma lei é justa, você deve fazê-la a despeito da contrariedade de alguns. Se por isso eu tiver de pagar as consequências em termos eleitorais, eu pagarei", acrescentou.   

Ele também reconheceu que o projeto não é perfeito, uma vez que não engloba a adoção, mas destacou que, com a atual legislatura, não é possível aprovar uma medida do tipo.   

"Eu gostaria de poder discutir esse tema serenamente. Se pudesse fazer isso nesta legislatura, já o teria feito. Vejamos se as coisas mudam até 2018, mas a minha preocupação agora é valorizar aquilo que já foi realizado", disse.   

A lei aprovada na última quarta-feira (11) é a primeira a autorizar a união homossexual na Itália, tirando a nação da bota da incômoda posição de último membro da União Europeia a não ter uma legislação do tipo. O texto prevê que os casais gays tenham acesso a todos os direitos civis previstos no matrimônio, como pensão por morte, assistência sanitária e auxílio-reclusão, com exceção da adoção e da obrigação de fidelidade. (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos