Áustria paralisa construção de muro na fronteira com Itália

BRENNERO, 13 MAI (ANSA) - O governo austríaco decidiu parar os trabalhos de construção de uma barreira "anti-imigrantes" em Brennero, na fronteira com a Itália. A informação foi confirmada pelos ministros do Interior da Itália, Angelino Alfano, e da Áustria, Wolfgang Sobotka, após uma reunião nesta sexta-feira (13).   

"Graças ao empenho demonstrado pela Itália nestas últimas semanas para controlar os trens que vão para a Áustria, no momento, não é necessária a construção de uma barreira em Brennero", disse Sobotka.   

Para o ministro austríaco, "se cada um fizer o seu trabalho, ninguém será deixado sozinho" na atual crise imigratória. "A Itália mostrou que está trabalhando em seus compromissos e que nós continuaremos a fazer patrulhas trilaterais sobre os trens.   

Brennero é uma fronteira simbólica que deve ficar aberta para a passagem de turistas e mercadorias", concluiu.   

Já Alfano afirmou que a "Europa deve olhar para frente e não dar passos para trás construindo muros". Para o representante de Roma, os controles desenvolvidos pelas autoridades italianas estão "trazendo bons resultados" e que para isso "foram enviados mais 50 policiais e 60 soldados" para reforçar as análises.   

"A Itália e a Áustria têm um intercâmbio comercial de 17 bilhões de euros por ano e a cada sete segundos um trem atravessa a fronteira ítalo-austríaca. Controles na fronteira teriam um impacto muito pesado", destacou.   

O anúncio da paralisação nas obras ocorreu poucas horas depois da União Europeia rejeitar o pedido da Áustria de obter um tipo de "permissão preventiva" para introduzir controles na fronteira de Brennero, contrariando os artigos do Tratado de Schengen. - Entenda o caso: No início de abril, o governo de Viena ameaçou a Itália com o fechamento da fronteira de Brennero - que também inclui os limites com a Alemanha - se Roma não controlasse o fluxo de imigrantes que atravessa a nação. Segundo estimativas do próprio governo austríaco, com o fechamento das rotas que partiam da Grécia, a Itália iria receber cerca de "300 mil imigrantes" neste ano. Esses dados, mesmo na "melhor época" para a travessia do Mediterrâneo, sequer chegaram perto de serem alcançados.   

No entanto, mesmo contra os números, o governo austríaco saiu da ameaça e começou a construção de uma "barreira móvel" de cerca de 370 metros entre os dois países. Ela seria ativada caso chegasse um grande número de estrangeiros no local. A medida foi duramente criticada pelo governo de Roma, através do primeiro-ministro, Matteo Renzi, e do ministro das Relações Exteriores, Paolo Gentiloni - além de suscitar críticas da União Europeia. Além disso, houve diversos protestos que terminaram em confusão no local, quando grupos de direitos humanos se manifestaram contra a construção do muro.   

A Áustria foi o segundo país que mais registrou pedidos de asilo dos estrangeiros que foram para a Europa em 2015 - no maior deslocamento de pessoas desde a Segunda Guerra Mundial. (ANSA)
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