A 80 dias da abertura, Rio 2016 ainda não empolga (2)

SÃO PAULO, 16 MAI (ANSA) - Continuação.   


"As Olimpíadas geram menos impacto que a Copa, isso é normal pela estrutura do país. Mas, trazendo para a questão do marketing, [o momento atual] dificulta demais o engajamento para o evento", diz o consultor esportivo Erich Beting. Ele destaca que um dos pontos que pode ajudar a envolver mais a população é a passagem da tocha olímpica pelo Brasil. O evento, que será realizado em mais de 300 cidades, deve dar uma "aquecida" nos negócios, apesar de não haver um clima de "oba-oba".   


Já para o consultor de marketing esportivo Amir Somoggi, o COI "cometeu um erro enorme" ao entregar os Jogos Olímpicos para o Rio de Janeiro. "Como podem dar as Olimpíadas e a Copa do Mundo para um mesmo país em tão pouco tempo? O Brasil não é a China ou os Estados Unidos, que podem fazer as duas competições em um espaço de dois anos porque já têm uma grande parte da estrutura pronta e uma economia pujante", diz.   


Segundo ele, do ponto de vista econômico, a Rio 2016 será um "fracasso" e dará prejuízos financeiros. "Como deu a Copa", acrescenta. Somoggi acredita que o COI precisará "colocar dinheiro" no evento ou "diminuir os lucros para não ter uma perda muito grande". Para confirmar sua visão, ele cita os problemas que "não existiam" tempos atrás. "Há três anos não tínhamos toda essa violência no Rio, que parecia ter diminuído, e nem tínhamos zika e H1N1, que agora temos".   


Por sua vez, Beting tem uma opinião um pouco diferente. De acordo com ele, os contratos assinados entre o comitê e alguns dos patrocinadores, entre 2009 e 2010, "foram muito vantajosos financeiramente" para a entidade. "Sobre o COI colocar dinheiro, ainda não tenho certeza. O Rio tinha atingido a meta financeira lá atrás, então acho que a conta para os Jogos está ok", ressalta o especialista, lembrando que, em termos de gestão, o comitê internacional é "muito melhor que a Fifa".   


Se ainda há dúvidas quanto à capacidade da Rio 2016 de gerar lucros, parece mais claro que ela perdeu seu potencial de proporcionar dividendos políticos, como havia sido em 2009, quando o então presidente Lula, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes usaram os Jogos para reforçar a imagem de potência emergente do Brasil.   


"A própria mídia oficial não está mais dando muito destaque para não haver a rejeição que teve a Copa do Mundo, quando se gastou muito dinheiro em estádios. Inteligentemente, o governo não está divulgando muito as Olimpíadas por causa disso, estão esperando que elas passem logo. Na realidade, você tem uma divulgação muito pífia - por ser um evento internacional - no Brasil", explica o especialista em marketing político Carlos Manhanelli, destacando que isso vale para as três esferas: federal, estadual e municipal.   


Segundo ele, a empolgação começou a evaporar quando as perspectivas em relação ao Brasil não se confirmaram, com a deterioração da economia. Se o governo insistisse no discurso da Rio 2016, os efeitos sobre sua imagem poderiam ser mais negativos do que positivos. Em um contexto no qual os índices econômicos estivessem nos trilhos, os Jogos poderiam ser usados como contraponto ao processo de impeachment da presidente Dilma.   


"Com certeza o governo [afastado] estaria usando esse evento para mostrar a capacidade que ele tem de aglutinação, mas hoje seria prejudicial. Falar de Olimpíadas pioraria as coisas.   


Divulgando as Olimpíadas, ele daria munição para quem acha que é dinheiro jogado fora", afirma Manhanelli. (ANSA)
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