Especial - A 80 dias da abertura, Rio 2016 ainda não empolga

Por Lucas Rizzi e Tatiana Girardi SÃO PAULO, 16 MAI (ANSA) - "Chegou a nossa hora. Para os outros, será apenas mais uma Olimpíada. Para nós, será uma oportunidade sem igual. Aumentará a autoestima dos brasileiros, consolidará conquistas recentes, estimulará novos avanços". Estas foram as palavras do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao defender perante o Comitê Olímpico Internacional (COI), em 2009, a candidatura do Rio de Janeiro para sediar os Jogos de 2016.   


Hoje, faltando 80 dias para a cerimônia de abertura, está claro que a hipótese do ex-mandatário, que pensava em usar o evento para consolidar a imagem do Brasil como potência mundial, não se confirmou. Segundo um levantamento feito pela ANSA Brasil em seis jornais internacionais entre 1º de janeiro e 31 de março, as notícias sobre a Rio 2016 foram ofuscadas pelas turbulências que afastaram a presidente Dilma Rousseff e podem levar Lula à prisão e pela epidemia de vírus zika.   


Das matérias referentes ao país publicadas neste período pelos diários "Corriere della Sera" e "la Repubblica" (Itália), "El País" (Espanha), "The New York Times" (EUA), "Le Monde" (França) e "La Nación" (Argentina), apenas 29% diziam respeito às Olimpíadas, sendo que a maior parte delas falava de atletas classificados, ou seja, o foco não estava no Brasil.   


Por outro lado, 39% se referiam à crise institucional em Brasília, e 32%, à epidemia de zika. Os dados reforçam a sensação de que os Jogos Olímpicos perderam parte de sua capacidade de gerar dividendos à nação e de influenciar positivamente sua imagem no exterior.   


O vizinho "La Nación" publicou no início de fevereiro um artigo com o título "Jogos (ainda) sem entusiasmo", que fala justamente que a preocupação do brasileiro está mais voltada para o bolso do que para as arenas esportivas. "Com uma recessão de 3,7% na economia no ano passado e uma expectativa de contração de pelo menos 3% para este ano, os brasileiros, em geral, e os cariocas, em particular, têm outras preocupações muito maiores", escreveu o periódico argentino. Contudo, lembrou que o brasileiro tem o hábito de deixar tudo para a última hora.   


Já o norte-americano "The New York Times" realizou, em 2014, uma espécie de diário durante os 100 dias que antecederam a Copa do Mundo, com atualizações frequentes sobre o estágio de preparação do país para o torneio. No entanto, as Olimpíadas, até aqui, se resumem para o jornal ao vírus zika: das 21 notícias publicadas nos três primeiros meses de 2016, 17 estavam relacionadas à epidemia.   


Outro dado que pode indicar um desinteresse pelo evento é a venda de ingressos. Até o fim de abril, apenas 62% da carga de 5,7 milhões de bilhetes havia sido comercializada. "Temos que reconhecer que, sem dúvida nenhuma, um pouco do foco foi deslocado neste primeiro momento. É natural que o impeachment seja mais matéria de primeira página. Mas eu acredito que, assim que se aproximarem mais os Jogos Olímpicos, o foco vai se deslocando naturalmente", diz o presidente dos Correios, Giovanni Queiroz.   


A estatal é um dos patrocinadores oficiais da Rio 2016 e também seu operador logístico. Das medalhas aos cavalos do hipismo, a empresa transportará mais de 30 milhões de objetos relativos às Olimpíadas.   


O contrato foi assinado em 2014, quando a crise política apenas se desenhava e poucos tinham ouvido falar de zika e microcefalia. No entanto, Queiroz garante que não houve mudança de planos para se adaptar a essa nova realidade. Em breve começará a ser veiculado no Brasil um comercial para evidenciar a participação dos Correios nos Jogos, embora boa parte da atenção da companhia esteja voltada ao mercado externo, onde a Rio 2016 vem sendo tratada como um mero apêndice da crise política e da epidemia de zika.   


"A transmissão [das crises] para os Jogos será feita naturalmente. O mundo todo estará olhando para as Olimpíadas, e nós temos a intenção de expandir nossas ações para outros países, particularmente na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos", completa o presidente da estatal. O Bradesco Seguros, que é patrocinador e segurador oficial dos Jogos, não comentou os efeitos da crise sobre o evento, mas destacou que já está promovendo uma série de ações promocionais, como um concurso que premiará novos clientes com "pacotes de experiências" e a criação de um museu itinerante que passará por 45 cidades. Procurados, os outros apoiadores da Rio 2016, Bradesco, Claro, Embratel e Nissan, não quiseram se pronunciar sobre o tema. (SEGUE)
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