EUA e Rússia pedem fim 'imediato' de hostilidades na Síria

VIENA e MOSCOU, 17 MAI (ANSA) - O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, cobraram nesta terça-feira (17) o fim "imediato" das hostilidades na Síria, que deveria estar vivendo um período de cessar-fogo.   

"A Rússia assumiu a responsabilidade de trabalhar mais ativamente com o governo sírio enquanto os Estados Unidos trabalharão com a oposição. A Rússia e os EUA têm uma responsabilidade particular sobre as decisões tomadas no Conselho de Segurança da ONU e como elas foram seguidas pelo grupo internacional pela Síria", disse Lavrov aos jornalistas.   

Já Kerry informou que o respeito ao cessar-fogo será "monitorado a cada semana" pelas Nações Unidas e que as possíveis violações levarão a "uma maior pressão por parte da comunidade internacional. O norte-americano ainda informou que a partir do dia 1º de junho, cada obstáculo que for colocado no acesso de grupos de ajuda humanitária "levarão a parada imediata do programa do PAM", o Programa de Alimentação Mundial. Segundo Kerry, caso isso aconteça, serão estudadas medidas para criar as condições que permitam punição para aqueles que violem o acordo.   

Um dos pontos interessantes da entrevista é que o representante russo afirmou que seu governo "apoia a luta contra o terrorismo, não o presidente [Bashar al] Assad". "Não defendemos ninguém pessoalmente. O terrorismo não pode ser justificado e temos que interromper o financiamento que chega do exterior", afirmou.   

Até o momento, a Rússia é a única potência mundial que luta ao lado dos militares fiéis ao presidente sírio e que dá treinamento e ajuda técnica a Assad. Os russos são até mesmo acusados de atacarem grupos opositores do presidente, não focando sua luta apenas contra os grupos terroristas Estado Islâmico (EI, ex-Isis) e Frente al-Nusra. Essa é a maior divergência para que russos e norte-americanos lutem juntos para derrotar os jihadistas na Síria. Isso porque, para os EUA e para a coalizão ocidental que ataca bases extremistas no Iraque, Assad é um ditador e o responsável por levar o país para a guerra civil que dura mais de cinco anos.   

Mantendo sua posição, Kerry voltou a afirmar que Assad "evidentemente violou resoluções da ONU" e disse que o presidente e seus opositores "jamais estarão seguros" se não houve paz na Síria. A atual trégua foi assinada no dia 22 de fevereiro e entrou em vigor cinco dias depois do acordo. Ela previa o fim dos ataques contra grupos opositores de Assad e à áreas em que há grande densidade populacional. A única exceção eram os ataques aéreos contra bases militares do EI e do Al-Nusra, que são considerados terroristas pela ONU.   

Porém, desde que foi anunciada, há constantes violações do acordo. A partir da metade do mês de abril, as ações das facções pró e contra o presidente sírio aumentaram exponencialmente e obrigaram ao anúncio de uma nova trégua na região de Aleppo.   

- Outras reações: Quem também falou sobre a situação na Síria foi o enviado especial da ONU para as negociações sobre o país, Staffan De Mistura. Para ele, os ataques e o assédio cometido pelos terroristas nas cidades sírias "são piores que as práticas feitas na Idade Média".   

"É preciso aumentar o número de pessoas na ajuda humanitária porque nós ainda não atingimos todos aqueles que precisamos", disse De Mistura ao falar sobre a crise que os cidadãos comuns estão enfrentando no local, como a falta de alimentos e de remédios.   

Já o ministro das Relações Exteriores da Itália, Paolo Gentiloni, pediu que seja dado um "novo impulso" às negociações com o governo e os opositores sírios. "Precisamos consentir o acesso à ajuda humanitária nas cidades assediadas e dar um sentido concreto ao cessar-fogo. Esta é a crise humanitária mais dramática dos últimos anos", ressaltou Gentiloni. (ANSA)
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