Hollande afirma que não cederá sobre reforma trabalhista

PARIS, 17 MAI (ANSA) - O presidente da França, François Hollande, afirmou nesta terça-feira (17) que não irá ceder sobre a reforma trabalhista aprovada na última semana pela Assembleia Nacional. O texto agora segue para o Senado.   

"Essa lei que está sendo discutida, também nas ruas, passará.   

Não cederei. Muitos governos cederam e essa é a causa das condições que nós encontramos o país em 2012. Ela foi discutida, ajustada, corrigida e emendada: os sindicatos reformistas apoiam o texto e a maioria dos socialistas votou nele", disse Hollande em entrevista à emissora "Europe 1". Proposta pela ministra do Trabalho, Myriam el-Khomri, a lei foi aprovada no plenário da Assembleia graças a um tipo de "voto de confiança" dos parlamentares, o que interrompeu as longas conversas sobre a inclusão ou retirada de medidas específicas que pouco alteram o resultado final da lei.   

Entre as principais mudanças, estão a flexibilização das leis trabalhistas na questão das demissões sem justa causa e também no pagamento de horas extras - que passariam a ser negociadas, como ocorre no Brasil, ao invés da empresa ter a obrigação de pagá-las mensalmente. Um dos pontos mais questionados pelos sindicatos, no entanto, é que a lei estabelece que são mais importantes os acordos feitos entre empegador e empregado do que com o setor que aquela empresa está inserida.   

"É muito importante para o nosso país e a lei El Khomri contribuirá para isto, para que as empresas e os sindicatos possam definir o nível que cada um terá no próprio futuro, mas no respeito à lei", acrescentou Hollande.   

Sobre as manifestações violentas que estão sendo registradas nas últimas semanas, o presidente pediu o fim desses atos porque "manifestar é um direito, destruir é um crime". Segundo o líder político, desde o início dos protestos, "foram mais de mil presos, 60 condenações e 350 policiais feridos". "Isso é inaceitável', destacou.   

Para esta semana, contudo, estão programadas dezenas de manifestações por diversas partes da França.   

Questionado sobre seu baixo índice de popularidade, Hollande afirmou que prefere ser lembrado como um presidente "que fez as reformas", incluindo aquelas consideradas impopulares, e não como um "presidente que não fez nada".   

"Quando não se faz reformas por anos, é preciso fazê-las. E é preciso tempo antes que elas deem frutos. Eu tento fazer aquilo que o país espera de um chefe de Estado, mesmo se as reformas forem difíceis e impopulares", concluiu Hollande. (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos