Com música, italianos velam líder radical em Roma

ROMA, 21 MAI (ANSA) - Primeiro foi a classe política. Depois, seus companheiros "radicais". Mas neste sábado (21) chegou a vez do povo se despedir de Marco Pannella, político morto na última quinta-feira (19), aos 86 anos, vítima de um câncer.   

Depois de ter sido velado na Câmara dos Deputados e na sede do partido Radicais Italianos, o corpo do líder político foi levado para um funeral laico na praça Navona, uma das mais célebres de Roma e onde fica a Embaixada do Brasil no país da bota.   

Durante todo o dia, centenas de pessoas se aglomeraram para dar adeus ao protagonista da luta pelos direitos civis na Itália. No palco montado para o caixão, um vídeo bastante aplaudido pelo público exibia a trajetória de vida de Pannella.   

O início da cerimônia na praça Navona foi marcado pela execução do "Réquiem" de Mozart. Mas a música fúnebre do compositor austríaco não foi a única a embalar a multidão. Artistas de jazz se apresentaram ao vivo no palco, cumprindo o desejo do líder radical de ser velado em uma festa com canções e alegre.   

Uma das pessoas presentes foi a ex-ministra das Relações Exteriores Emma Bonino, expoente do Radicais Italianos e que luta contra um câncer de pulmão. Em um breve discurso ao público, ela criticou a "hipocrisia" de alguns políticos que homenagearam Pannella, embora lutem contra seus ideais - em um caso raro de quase unanimidade, o líder foi elogiado pelas principais personalidades do país, incluindo o presidente Sergio Mattarella, o primeiro-ministro Matteo Renzi e o ex-premier Silvio Berlusconi.   

"Em sua vida, Pannella foi particularmente ridicularizado, quando não vilipendiado, e acredito que algumas homenagens póstumas fedem a hipocrisia", disse a ex-chanceler, recebendo os aplausos dos militantes.   

Pannella é um dos fundadores do Partido Radical (hoje Radicais Italianos), legenda que esteve na linha de frente das batalhas pelos direitos civis na nação da bota. Nos anos 1970, contribuiu decisivamente para a legalização do voto para os jovens de 18 anos, do aborto e do divórcio, para a descriminalização do uso de drogas leves e para o fechamento dos manicômios.   

Para defender suas causas, fazia com frequência greves de fome e sede - inclusive nos seus últimos anos de vida. Além disso, uma vez chegou a ser preso para denunciar os problemas do sistema carcerário. (ANSA)
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