Igreja critica política imigratória da União Europeia

ROMA, 01 JUN (ANSA) - O secretário da Conferência Episcopal Italiana (CEI), monsenhor Nunzio Galantino, pediu que a Europa ajude os imigrantes que chegam ao continente e criticou o sistema de centros de acolhimento (os chamados hotspots) criados para recebê-los em diversos países.   

"O acolhimento dos solicitantes de asilo deve ser estruturado nos 28 países [da União Europeia]. Não se pode, de fato, salvar as pessoas no mar e depois não lhes oferecer uma oportunidade de futuro", disse o religioso ao jornal "La Repubblica" nesta quarta-feira (01).   

Segundo Galantino, todos aqueles que chegam ao continente "tem o direito, com base em sua história pessoal e não por uma 'lista de países seguros', de apresentar o pedido de asilo e de recorrer caso o primeiro pedido não seja possível". Sobre os hotspots, o padre afirmou que eles são uma "cópia feia de outros centros de detenção de pessoas" que foram erguidos no passado.   

Lembrando que essas pessoas estão fugindo de "situações dramáticas", o religioso ainda criticou as recentes mortes no Mar Mediterrâneo - quase mil apenas na última semana. "Aquelas mortes são um insulto à democracia europeia, incapaz de manter e proteger as pessoas em fuga de situações criadas também pela política externa e pelas escolhas econômicas europeias", disse o secretário da CEI.   

O representante da entidade católica ainda foi questionado se as comunidades da Igreja estão cumprindo o apelo feito pelo papa Francisco, de acolher os imigrantes, e Galantino detalhou como esse processo está sendo feito.   

"Aderindo ao apelo do Papa do dia 6 de setembro, foram colocadas à disposição mais de duas mil estruturas para hospedar mais de 23 mil solicitantes de asilo e refugiados, sendo que cinco mil deles foram ajudados pelas contribuições dos fiéis", contou o monsenhor ao explicar que, ao todo, em outros centros comunitários, a CEI acompanha cerca de 120 mil jovens que estão na Itália.   

Perguntado sobre o que fazer com aqueles imigrantes que têm o visto de permanência rejeitado, Galantino contou que há um projeto desenvolvido por outras duas entidades católicas - Caritas e Migrantes - junto com a CEI para fazer o repatriamento desses estrangeiros. A ideia é usar a rede de centenas de associações e ONGs católicas nessas nações de origem para ajudar os imigrantes.   

- Resposta do governo italiano: O ministro do Interior da Itália, Angelino Alfano, foi questionado sobre as falas do secretário da CEI sobre a imigração e disse que a Itália "não pode acolher todo mundo".   

"Nós somos os campeões do mundo em humanidade e em acolhimento.   

Entendo as palavras do monsenhor Galantino que é um bispo, mas eu atuo como ministro do Interior e preciso fazer com que as leis sejam respeitadas. Temos um grande coração, mas não podemos acolher todo mundo", disse Alfano.   

A Itália e a Grécia são os países europeus que mais recebem imigrantes ilegais, por causa de sua proximidade à África e ao Oriente Médio. As rotas mediterrâneas levaram, só no ano passado, mais de um milhão de deslocados à União Europeia. Por causa disso, o governo italiano é um dos maiores defensores do sistema de "cotas", que prevê a realocação de 160 mil imigrantes, até setembro de 2017, para os outros países do bloco.   

Porém, essas medidas são muito questionadas por diversos países - especialmente aqueles dos Balcãs - que não aceitam os estrangeiros por diversas razões que vão desde a economia até a religião. (ANSA)
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