Prisões 'são melhores' quando mulheres as comandam, diz Papa

CIDADE DO VATICANO, 03 JUN (ANSA) - Durante um encontro realizado pelo Vaticano contra o tráfico de seres humanos e contra o crime organizado, o papa Francisco afirmou que os presídios são mais efetivos na recuperação das pessoas quando são comandados por mulheres.   

"As prisões são melhores quando têm diretores mulheres do que homens porque as mulheres tem uma sensibilidade especial para a reintegração. Na Itália, há muitas mulheres e jovens, respeitadas, que lideram as instituições penitenciárias", disse o Pontífice nesta sexta-feira (03).   

Segundo o líder católico, por terem a noção da "maternidade", elas conseguem gerenciar melhor a situação.   

Essa não é a primeira vez que Jorge Mario Bergoglio defende o trabalho das mulheres. Ele já pediu, por mais de uma vez, a igualdade salarial para ambos os sexos, pediu o fim dos "esteriótipos" femininos e criticou o machismo da sociedade contra elas.   

Na área que tange suas funções, a Igreja Católica, ele já pediu uma "nova teologia" voltada para elas, disse que irá instaurar uma comissão para verificar a possibilidade das mulheres tornarem-se diaconisas - um dos três graus de consagração mais importante da Igreja atrás do episcopado e do sacerdócio - e ainda construiu duchas exclusivas para aquelas sem-teto que ficam próximo ao Vaticano.   

Em uma audiência, Francisco arrancou risadas dos fiéis ao pedir "desculpas por ser um pouco feminista".   

- Evento contra crimes: Além de falar sobre as mulheres, Jorge Mario Bergoglio criticou o sistema penitenciário no mundo e disse que a aplicação de penas que não criem "esperança" é uma "tortura".   

"O trabalho [da Justiça] não termina com a sentença, é preciso reintegrar aqueles que erraram e reabilitar a vítima", disse ainda o líder católico aos magistrados presentes no encontro.   

"É preciso erradicar a exploração e o tráfico de pessoas e todas as novas formas de escravidão como a prostituição, o crime organizado e o tráfico de drogas. Bento XVI definia estes crimes como de lesa-humanidade e eles devem ser reconhecidos como tal por todos os líderes religiosos, políticos e sociais", ressaltou.   

Para o Papa, o problema para que tudo isso não seja combatido da forma correta é a corrupção. "Um dos grandes males sociais é a corrupção, em todos os níveis, que enfraquece os governos, a democracia participativa e também as atividades da Justiça", concluiu.   

A preocupação de Bergoglio com o sistema presidiário no mundo é alvo de constantes falas do líder católico. Além disso, sempre que possível, Francisco visita prisões em vários locais do mundo em que realiza visitas. (ANSA)
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