(Análise) Temer enfrenta quarta crise em menos de um mês

Por Darío Pignotti BRASÍLIA, 8 JUN (ANSA) - O governo do presidente interino Michel Temer enfrenta sua quarta grande crise poucos dias antes de completar um mês no Palácio do Planalto, após ter a Procuradoria Geral da República (PGR) pedir a prisão de importantes aliados.   


O procurador Rodrigo Janot pediu na última terça-feira, dia 7, a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do líder afastado da Câmara, Eduardo Cunha, além de senador Romero Jucá e o ex-presidente José Sarney.   


O magistrado baseou seus pedidos nas gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que sugerem a intenção de obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Machado concordou em fazer uma delação premiada com a Justiça em troca de que sua pena por propina e lavagem de dinheiro seja atenuada. O caso provocou uma grave crise no governo da presidente afastada Dilma Rousseff e terminou com a condenação de altos dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT).   


Em seu pedido diante do Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador também argumentou que Calheiros deve deixar imediatamente a Presidência do Senado, pois usou do cargo para obstruir o trabalho da Justiça.   


O peemedebista julgou como desproporcional a iniciativa e pediu que seja respeitado o princípio de que todos são inocentes até que seja provado o contrário.   


Essa é a quarta crise desatada no governo desde que Temer assumiu a Presidência em 12 de maio, após a suspensão de Dilma. A primeira teve início logo em 23 de maio, quando os áudios de Machado demonstraram que o então ministro do Planejamento Romero Jucá havia coordenado parte do plano para tirar a presidente do governo com o objetivo de frear as investigações da Lava Jato. O senador negou, dizendo que falava da crise econômica nas gravações. Ele renunciou ao cargo algumas horas depois da divulgação das conversas com o até então amigo Sergio Machado, no entanto.   


Uma semana mais tarde, no dia 30, outras gravações implicaram o ministro da Transparência, Fabiano Silveira, que nesse mesmo dia apresentou seu pedido de saída do cargo. O terceiro escândalo aconteceu na semana passada, quando vieram à tona manobras da secretária da Mulher, Fátima Pelaes, para desviar cerca de R$ 4 milhões em emendas parlamentares. Ao mesmo tempo, o ministro do Turismo, Henrique Alves, também enfrentava rumores de corrupção ligados ao "Petrolão". Ambos são do PMDB, legenda governista.   


O mais recente escândalo, do pedido da prisão de Cunha, motivou uma tensa sessão na comissão que trata de seu pedido de cassação. Ele responde por violação de decoro parlamentar por ter negado ter contas na Suíça, algo mais tarde desmentido pela Justiça do país europeu. O dinheiro seria resultado de propinas cobradas pelo legislados para facilitar contratos com a Petrobras. (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.



Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos