Esqueça o Havaí! O surfe nasceu no Peru, diz pesquisador

Gisele Sartini

  • Rodrigo Abd/AP

Não são apenas Machu Picchu e Cusco que atraem os turistas em busca de aventura ao Peru. Tendo que concorrer com o Havaí como principal destino para o surfe na América, o país andino oferece boas ondas, preços mais baixos do que as famosas praias do estado norte-americano e pode até ter sido o berço do esporte, ao contrário do que muita gente pensa.   

Em seu livro "Mar y Olas - Rito y Deporte: Del Tup o Caballito de Totora a la moderna Tabla o Surf: su origen en la Costa Norte del Antiguo Perú", o professor peruano da Unesp de Araraquara Enrique Amayo Zevallos prova que o surfe nasceu na nação inca.   

Segundo ele, o caballito, como é chamada a milenar prancha peruana, surgiu para ajudar a pesca, mas, com o passar dos anos, acabou sendo usada para o lazer.

Jason Reed/Reuters
Carlos Huevito surfa com estrutura feita de cana-de-açúcar e conhecia como Caballito
   

Após realizar diversas pesquisas no Peru, no Havaí e até mesmo na Califórnia, outro grande polo do esporte no mundo, Zevallos concluiu que o objeto foi criado há cerca de 5 mil anos, muito antes dos europeus terem desenvolvido grandes ferramentas de navegação e descoberto o arquipélago norte-americano. 

As civilizações que viveram no Peru se desenvolveram próximas ao mar, que é o mais rico do mundo. Aqui a pesca nasceu antes da agricultura."

Se no século 4 d.C. os caballitos já não eram mais usados para a pesca, mas sim para a diversão, no século 8 surgiram as primeiras pranchas de cerâmica, também empregadas no lazer.  

E se as dúvidas sobre a origem desse esporte ainda persistem, a certeza de que o Peru é um ótimo destino para boas ondas se espalha pelo continente. Segundo o professor de surfe Luciano Sant'anna, de 42 anos, é no Peru que estão "as ondas mais longas do mundo". "As ondas no Peru são mais compridas, você pode ficar dois, três minutos nela", disse, em entrevista à ANSA Brasil.   

O fenômeno ocorre em todo o litoral peruano, porém é na cidade de Chicama onde as ondas são melhores, mais longas e contínuas, pois elas costumam quebrar depois que as maiores passam pela região de Punta Hermosa, no sul, atingindo a costa com uma altura de dois metros.   

"Elas são incríveis. Foi muito gratificante surfar em uma onda daquelas, com uma paisagem tão linda", disse o surfista amador André Magalhães, de 43 anos, explicando que o Peru é o destino ideal para os que têm o surfe como hobby, pois a velocidade e o tamanho das ondas permitem que elas sejam aproveitadas com mais tranquilidade.  

Ondas do Havaí são mais rápidas

Já a capital mundial do surfe, ao contrário do Peru, proporciona uma experiência mais radical. As ondas do Havaí, além de serem mais rápidas e cavadas, são muito maiores - em média possuem entre 10 e 20 metros -, enquanto as peruanas atingem até três.   

Os lugares também se diferenciam pela época do ano mais propícia para o esporte. Enquanto no Havaí a alta temporada acontece entre os meses de novembro e março, no Peru é possível encontrar boas baterias durante o ano inteiro, uma vez que sua costa recebe diversos tipos de ondulações em todas as épocas.   

Apesar de não serem tão conhecidas mundialmente, as ondas peruanas são muito populares entre os surfistas do Brasil. "Por ser um destino barato, o Peru acaba sendo a primeira viagem internacional de muitos brasileiros", disse Luciano Sant'anna.   

Atualmente, com o dólar ao redor dos R$ 3,50, uma viagem de sete dias para o Havaí com as taxas de embarque e traslados inclusos, sem café da manhã, custa cerca de R$ 15 mil reais por casal. Já para o Peru o custo cai para R$ 5 mil, com os mesmos serviços e café incluído.   

Mas nem tudo é um paraíso no país andino. Dois aspectos costumam afastar alguns surfistas: a presença de tubarões em todo o litoral e a baixa temperatura das águas. "Muitos me chamavam de corajoso por entrar naquela água gelada, mas é só usar uma roupa térmica adequada que não haverá problemas", confessou André Magalhães. (ANSA)

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