Kuczynski vence, mas fujimorismo continua decisivo no Peru

Por Sarah Germano SÃO PAULO, 10 JUN (ANSA) - Apesar de Keiko Fujimori, filha do ex-ditador peruano Alberto Fujimori, condenado por corrupção e crimes contra a humanidade, ter perdido pela segunda vez consecutiva as eleições Presidenciais no Peru, o fujimorismo se concretizou como uma força decisiva no país após o último pleito.   

O ex-ministro da Economia Pedro Pablo Kuczynski acabou com o sonho de Keiko, que era favorita nas pesquisas, com pouco mais de 40 mil votos. Em uma disputa acirrada, PPK, como é conhecido, recebeu 50,1% e ela 49,8%.   

No Congresso peruano, no entanto, onde o sistema é unicameral, a legenda fujimorista tem maioria absoluta, com 73 dos 130 representantes. O partido de PPK elegeu 18 congressistas. Segundo o cientista político peruano Pedro David Montes Mireles, partindo do mesmo campo político, a direita, o fujimorismo tentará impor de alguma maneira sua agenda para travar a governabilidade de PPK.   

O peruano Enrique Amayo Zevallos, cientista social e professor da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, por sua vez, destaca que os "fujimoristas estão muito feridos e como eles controlam o Congresso, pela primeira vez em muitíssimos anos, Kuczynski pode ter alguns problemas". Zevallos, no entanto, lembra que o programa defendido pelos candidatos durante a campanha eleitoral era bastante similar. "O que se diferencia são as questões sociais e democráticas" -- o fujimorismo é criticado por muitos por suas posições autoritárias.   

Lembrando que, no âmbito econômico, a política de Kuczynski, ex-economista do FMI, não deve se diferenciar do atual presidente, Ollanta Humala, que apesar de se eleger com um programa progressista, teve uma guinada em sua gestão logo no início de seu governo.   

Segundo Zevallos, o grande medo era que Keiko fosse eleita e libertasse o pai, condenado a 25 anos de prisão. Apesar de ela negar a hipótese, ela pediu indulto para o ex-ditador em diversas ocasiões nos últimos anos, alegando que ele está muito doente.   

Desta forma, apesar de ter uma agenda neoliberal, PPK ganhou as eleições com o voto da esquerda. Pois pior para eles do que um governo de direita, era a volta do fujimorismo à Presidência.   

Por isso ele deverá tentar governo junto a eles.   

"Ele sabe que, sem maioria no Congresso, vai ter que tentar negociar tanto com a esquerda quanto com os fujimoristas. Sua situação é difícil, mas ele é muito inteligente", conclui Zevallos.   

Mireles, por sua vez, lembra que o fujimorismo enfrenta problemas internos, que permitiram que Kuczynski se aproxime dos setores mais moderados, especialmente aqueles que têm interesses regionais e estariam mais propícios à negociação, ao contrário dos setores radicais, que já declararam uma guerra contra o governo.   

A figura de Keiko sai da segunda derrota consecutiva abalada e até mesmo seu irmão, Kenji, começa a apresentar uma alternativa dentro do movimento.   

"Quanto mais brigas internas no fujimorismo,mais fácil será para PPK tentar uma negociação ou pelo menos uma aproximação de alguns setores, compondo sua base parlamentar para que não tenha maiores entraves", diz. Ainda segundo Mireles, apesar de os radicais tentarem criar um impasse e uma paralisação decisória, seu poder em termos políticos, de mobilização e de influência é limitado. (ANSA)
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