Conheça a esgrimista italiana que lutará pelo Brasil em 2016

Por Lucas Rizzi SÃO PAULO, 14 JUN (ANSA) - Nathalie Moellhausen carrega muitos países em sua voz. Da força da pronúncia italiana às vogais nasaladas do francês, deixando escapar até um "poquito", em espanhol. Mas sua espada fala hoje em perfeito português.   


Nascida em Milão há 30 anos, essa esgrimista deixou o azzurro da Itália para disputar as Olimpíadas de 2016 pelo Brasil e mostrar à torcida verde-amarela que esporte não se faz só com bola.   


Experiente, Moellhausen tem uma medalha de ouro por equipes (2009) e duas de bronze, individual (2010) e por equipes (2011), em mundiais e a participação nos Jogos de 2012 pela sua nação de origem no currículo. Depois de uma pausa de dois anos para se dedicar à carreira de diretora de arte - ela enxerga o esporte também como uma expressão artística -, retornou às pistas em 2014 e viu no Brasil a oportunidade de retomar o sonho olímpico.   


Não apenas para conquistar aquele objetivo que todos os atletas almejam e que ela prefere não pronunciar, mas também para divulgar a esgrima no país onde existe desde os tempos de Dom Pedro II, porém beira o total desconhecimento. "Eu achava que ter os Jogos Olímpicos aqui seria uma grande oportunidade para fazer alguma coisa pela esgrima brasileira e para essa parte do mundo, as Américas, onde ela não é tão desenvolvida", disse a ítalo-brasileira em entrevista à ANSA Brasil.   


Desde que voltou a competir, saltou da posição 277 no ranking mundial para a 12ª - atualmente ela é a 13ª e à sua frente estão duas italianas, Rossella Fiamingo (terceira) e Mara Navarria (sexta), sendo que apenas a primeira irá à Rio 2016 - e conquistou o bronze na categoria espada no Pan-Americano de 2015, em Toronto, um resultado só igualado por Clarisse Menezes, em 2007, no Rio. Hoje lidera com folga o ranking brasileiro.   


Porém não foi apenas o aspecto esportivo que a levou a trocar o azul pelo verde-amarelo. Também pesou o lado sentimental.   


Moellhausen é brasileira por parte de mãe e visitou frequentemente São Paulo, onde vive sua família do lado de cá, até os 12 anos de idade. "Eu pensei que a esgrima pudesse ser a razão para mudar e ter uma conexão mais forte com o Brasil", explicou.   


Mas é em Paris onde a esgrimista vive e treina há uma década, o que explica suas vogais nasaladas. Quando completou 20 anos, decidiu abandonar Milão para estudar e praticar na "cidade luz" com o mestre francês Daniel Levavasseur, um dos mais renomados técnicos do mundo. Ela diz que a esgrima da França, outra potência no esporte, é a que mais se adapta ao seu estilo.   


Na Rio 2016, onde disputará as modalidades individual e por equipes, sua treinadora será a também francesa Laura Flessel, dona de duas medalhas de ouro olímpicas. Pela frente as brasileiras terão adversárias duras, e Moellhausen, para chegar mais longe, tenta aliviar o peso que carrega o atleta olímpico de uma nação que só tem olhos para pódios.   


"A minha expectativa é não ter expectativa. Acredito que, trabalhando bem os últimos meses de preparação, o objetivo que eu tenho no meu coração e que acho que não preciso nem falar vai se realizar. Como dizem os brasileiros: 'se Deus quiser", afirmou.   


Em sua modalidade, a espada, a arma tem 110 cm de comprimento, dos quais 90 cm correspondem à lâmina, de formato triangular. As disputas consistem em três rounds de três minutos cada. Vence quem realizar mais toques ao fim da disputa ou quem atingir 15 primeiro. Apenas a ponta da espada pode marcar um golpe, e o alvo é o corpo inteiro do oponente.   


"Depois, é o dia mesmo, a hora, é levantar de manhã e dar tudo.   


Essa é a minha missão: dar tudo naquele dia. O resto é consequência". Ela sabe que o objetivo de popularizar a esgrima no Brasil está diretamente ligado a um lugar no pódio e que a Rio 2016 representa uma oportunidade única para o esporte.   


"Isso é parte do desafio que eu tive no começo. Se eu aceitar, vai ser tudo mais fácil. Com os anos você aprende que existem as expectativas das pessoas, do exterior, mas a coisa mais importante é trabalhar para dar o melhor. E eu acredito no meu sonho. Isso para mim é o suficiente", disse Moellhausen, em perfeito português. (ANSA)
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