NYT entra na briga contra venda de armas de fogo nos EUA

NOVA YORK, 14 JUN (ANSA) - Incidentes envolvendo armas de fogo provocam 27 mortes por dia nos Estados Unidos, de acordo com dados relevados nesta terça-feira (14) pelo jornal "The New York Times". Na reportagem, o maior jornal dos EUA entra na discussão sobre a venda de armas de fogo no país e pede para os eleitores norte-americanos aproveitarem as próximas eleições presidenciais, em novembro, para votarem em quem "está preparado para enfrentar a crise", e não em quem a "tolera". O NYT também defendeu a proposta que ficou conhecida como "no buy list", a qual prevê a criação de uma lista com o nome de todas as pessoas que serão proibidas de comprar armas, como fuzis e pistolas, nos EUA. O jornal criticou a venda irrestrita de armas dois dias após uma das maiores tragédias do país, em Orlando. O norte-americano de origem afegã Omar Mateen, de 29 anos, abriu fogo contra o público da boate gay Pulse, na noite do último sábado (11), e assassinou 49 pessoas antes de ser morto pela polícia. O ataque repercutiu nas campanhas eleitorais à Presidência dos EUA, lideradas pela democrata Hillary Clinton e pelo republicano Donald Trump, e em temas sensíveis, como combate ao terrorismo, homofobia, xenofobia e venda de armas. Em todos estes temas, os dois principais nomes à Casa Branca têm opiniões opostas. De um lado, Hillary defende reformas na legislação de venda de armas no país. De outro, Trump polemiza propondo medidas de cunho racial e religioso. De acordo com o NYT, o ataque na Pulse poderia ter sido evitado, já que Mateen tinha sido investigado pelo FBI em 2013 e 2014 e seu nome constava na lista de possíveis envolvidos com terrorismo. "Ele poderia ter sido interrompido antes de puxar o gatilho se as leis fossem adequadas", argumentou o jornal. Logo após o ataque, que além dos 49 mortos deixou 53 pessoas feridas, o presidente Barack Obama fez duras críticas à atual legislação de arma de fogo nos EUA e pediu restrições na venda dos dispositivos. "Não podemos prevenir qualquer tragédia, mas há regras possíveis de senso comum que são compatíveis com a Segunda Emenda [que garante o direito do porte de arma]", comentou o mandatário. Mas o apelo mais contundente contra o massacre em Orlando veio da Organização das Nações Unidas (ONU). "É difícil encontrar uma justificativa racional para a facilidade com que as pessoas nos EUA podem procurar armas, fuzis de assalto, inclusive, sem apresentarem seus antecedentes criminais, nem indícios de envolvimento com drogas ou violência no passado, além de doenças mentais ou contato com extremistas americanos ou estrangeiros", disse o alto comissário das Nações Unidos para os Direitos Humanos, Zeid Raad Al Hussein. De acordo com ele, os EUA vivem uma "propaganda irresponsável" de que, quanto mais armas de fogo em circulação, "mais segura fica a sociedade". Em 2014, cerca de 8,12 mil pessoas morreram nos Estados Unidos por arma de fogo. Anualmente, 31 norte-americanos, a cada um milhão, sofrem algum atentado envolvendo armas, cifra elevadíssima na comparação com a de outros países desenvolvidos, como Alemanha, Áustria e Holanda, onde apenas duas pessoas a cada um milhão morrem por ano de arma de fogo. (ANSA)
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