'A paz é impossível', dizem vizinhos de boate gay de Orlando

Por Serena Di Ronza NOVA YORK, 15 JUN (ANSA) - Os vizinhos da boate gay Pulse, em Orlando, onde 49 pessoas morreram em um ataque terrorista no último domingo (12), estão sendo assediados por curiosos e pela imprensa e dizem que a "paz é impossível".   

A área próxima ao local que foi cenário do massacre continua bloqueada e inacessível para os civis, com exceção dos seus moradores, que procuram recuperar a paz que tinham até o fim de semana e que dificilmente terão em um futuro próximo.   

Logo após o atentado de domingo de madrugada, um elemento até então desconhecido para a região tomou conta dela: a invasão de policiais, jornalistas, parentes e curiosos.   

Enquanto continuam as investigações, a proprietária da Pulse, Barbara Poma, se comprometeu a reabrir a boate e a devolver o seu esplendor sem esquecer a tragédia. "Qualquer coisa que fizermos será um símbolo em memória do que aconteceu", afirmou a norte-americana.   

Poma também admitiu que ficou surpresa pelas doações de todos os tipos que foram oferecidas, como dinheiro, ajuda para reconstruir o local e até obras de arte para poder enfeitar o estabelecimento depois que este for reinaugurado. As boas-ações também chegaram aos empregados da casa noturna, agora desempregados, com uma angariação de fundos para ajudá-los em um momento difícil como este.   

Além disso, o massacre também afetou o comércio da zona, obrigando muitas lojas a fecharem suas portas por tempo indeterminado enquanto analisam qual será o equilíbrio de aumentar a segurança sem dificultar o acesso.   

Toda a área está fechada e, para que seja reaberta, vários dias serão necessários. A polícia ainda bloqueia cada rua próxima e agentes do FBI continuam recolhendo provas.   

"Irá demorar ao menos mais uma semana, se bem que o perímetro bloqueado será reduzido com o passar do tempo", afirmou um dos policiais parados na Miller Street, uma das ruas que levam à Pulse. "Levando em conta o número elevado de vítimas, nos demandará tempo", afirmou o profissional.   

E para os vizinhos, a situação também está sendo complicada, já que eles são obrigados a mostrarem seus documentos e outras provas, como contas e até o contrato do aluguel, para poderem entrar em suas casas. Além disso, todas as persianas estão fechadas para evitar as fortes luzes das viaturas policiais.   

"Vivo aqui desde 1947, não podia imaginar viver em outro lugar", afirmou Madgaline, uma moradora da região. "Quem poderia imaginar que uma coisa dessas realmente aconteceria aqui?", comentou Thomas, outro vizinho da boate. "Me sinto culpada até em dizer isso, mas estou pronta para mudar de página", disse outra moradora, Karen, pensando em se mudar da área. (ANSA)
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