Aliado de Kirchner é preso ao esconder fortuna em convento

BUENOS AIRES, 15 JUN (ANSA) - O ex-secretário de Obras Públicas nos governos de Néstor Kirchner e Cristina Kirchner foi preso ontem (14) ao tentar esconder uma fortuna de mais de US$ 8,5 milhões em um convento perto de Buenos Aires, em um episódio que provocou mais um escândalo na Argentina. José López, que atuou na gestão do casal Kirchner de 2003 a 2015, foi preso com 160 sacos de dinheiro que deveriam ser escondidas em um monastério da cidade de General Rodríguez, a 40 quilômetros a noroeste da capital do país. O secretário de segurança da província de Buenos Aires, Cristian Ritondo, disse que as sacolas de dinheiro ainda estão sendo contadas e que se trata de uma "cifra milionária" que chega a ser "obscena". "Tem dinheiro em quatro moedas diferentes: dólar, ienes, euros e uma moeda do Qatar", disse o oficial. A imprensa argentina, por sua vez, afirmou que a cifra pode ser ainda maior, já que a polícia não terminou de contabilizar. Além da fortuna, ele tentava relógios da marca Rolex e um Iphone 6, da Apple. O ex-funcionário do governo Kirchner também portava uma arma com a licença vencida, crime pelo qual foi preso. No momento da detenção, a polícia pediu explicações da origem do dinheiro, pois José López já era investigado em um processo por enriquecimento ilícito. De acordo com os policiais que ouviram a superiora do convento, uma mulher de 94 anos, López tinha avisado que visitaria o local. "Ele tinha livre acesso ao monastério. Outros funcionários do governo anterior também visitavam o convento, faziam doações e reparavam a estrutura do local", confessou a diretora da entidade. López conduziu uma caminhonete até o Monastério das Monjas Orantes e Penitentes de Nossa Senhora de Fátima e, ali, começou a jogar sacos de dinheiro sobre um muro do convento. Um vizinho viu a cena e acionou a polícia.   

O ex-funcionário do casal Kirchner tentou também subornar os agentes de segurança e acusou-os de "roubarem" o dinheiro que ele queria "doar" ao convento. López ocupou por mais de uma década o cargo se secretário de Obras Públicas dentro do Ministério de Planejamento Federal. Na prática, ele era o número dois da pasta, ocupada pelo ministro Julio de Vido. Formado em engenharia civil, López iniciou sua carreira na administração pública em 1991, na província de Santa Cruz, onde nasceu o ex-presidente Néstor Kirchner. O episódio do convento veio à tona no mesmo dia em que o atual presidente argentino, Mauricio Macri, anunciou que repatriará cerca de 18 milhões de pesos argentinos que mantinha em um paraíso fiscal nas Bahamas. As empresas da família Macri, uma das mais ricas do país, também estão envolvidas no escândalo mundial revelado pelo "Panama Papers".   

O chefe de gabinete da Casa Rosada, Marcos Peña, tentou amenizar a crise dizendo que a repatriação de bens de qualquer funcionário do governo argentino é "uma decisão pessoal". (ANSA)
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