Morte de deputada britânica pode inflamar campanha pró-UE

Por Lucas Rizzi SÃO PAULO, 16 JUN (ANSA) - Faltando exatamente uma semana para o referendo que pode abalar a União Europeia, a acirrada disputa sobre o futuro do Reino Unido no bloco ganhou um ingrediente inesperado: o assassinato da deputada trabalhista Jo Cox, cujos efeitos na campanha são imprevisíveis, porém potencialmente grandes.   

O crime ocorreu em Birstall, nos arredores de Leeds, e o agressor teria gritado "Britain First" (Bretanha Primeiro), possível referência à legenda nacionalista homônima, antes de disparar contra a parlamentar, estrela ascendente do Partido Trabalhista e uma ativa cabo eleitoral pela permanência do país na UE.   

Para o professor Kai Lehmann, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP), ainda é preciso comprovar que o homicídio tem ligação com o referendo, mas, se as suspeitas se confirmarem, a morte de Cox pode influenciar o resultado das urnas. "Até porque ela era comprovadamente uma forte apoiadora da permanência do Reino Unido na União Europeia", disse, em entrevista à ANSA Brasil.   

As investigações sobre o assassinato ainda estão em curso, e muito do que ocorrer daqui para frente estará diretamente relacionado às descobertas da polícia. No entanto, um efeito imediato do ataque contra a deputada pode ser uma maior mobilização dos eleitores contrários à chamada "Brexit" (termo em inglês para "saída britânica").   

"Me parece que os eleitores do 'não' [à União Europeia] estão bem mais animados do que aqueles que querem ficar. Em termos de mobilização, possivelmente terá algum impacto. Vai depender muito das investigações. Se houver comprovadamente uma ligação [entre o referendo e o atentado], isso poderia fazer uma diferença significativa", acrescentou Lehmann.   

As últimas pesquisas divergem sobre a vontade popular, com algumas dando vitória para a permanência, e outras apontando para um triunfo da saída. O ponto em comum entre elas é que todas indicam um resultado bastante apertado, então qualquer acontecimento de última hora, ainda mais algo tão dramático quanto a morte de uma deputada, pode ser decisivo.   

Quando as campanhas forem retomadas - elas estão suspensas por causa do assassinato de Cox -, o lado pró-UE também precisará mobilizar os jovens e tentar tirar o debate da questão migratória, buscando levar as atenções para os imprevisíveis riscos econômicos de uma ruptura. "Se a campanha ficar no campo da imigração, acho que o lado do 'ficar' terá enormes problemas.   

Se eles conseguirem mudar, terão maiores chances de vencer", ressaltou o professor da USP.   

O referendo será realizado no próximo dia 23 de junho, quando os britânicos responderão à seguinte pergunta: "O Reino Unido deveria continuar um membro da União Europeia ou deixar a União Europeia?". (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos