Brasil abandona negociações com UE sobre asilo a refugiados

SÃO PAULO, 17 JUN (ANSA) - O governo brasileiro, que tinha sido elogiado pelo Alto Comissariado nas Nações Unidas para Refugiados (Acnur) pelas suas medidas de acolhimento de migrantes, suspendeu as negociações que tinha com a União Européia sobre a recepção de refugiados sírios no país.   

De acordo com a publicação "BBC Brasil", em uma reunião realizada nesta semana, o atual ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou aos políticos e diplomatas presentes que as tratativas haviam sido suspensas.   

A decisão, que teria sido emitida pelo próprio ministro, é um grande passo para trás em relação às conversas com a UE, nas quais o Brasil havia se comprometido a encontrar meios, inclusive ajuda internacional, para receber 100 mil refugiados em um prazo de cinco anos.   

As medidas favoráveis ao apoio de migrantes em território nacional surgiram ainda durante a gestão do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão no começo deste ano durante uma visita ao embaixador da Alemanha no Brasil, Dirk Brengelmann, quando foi discutida a questão síria.   

Na época, Aragão disse que a presidente afastada Dilma Rousseff tinha aprovado as soluções encontradas para ajudar os refugiados não apenas da Síria, mas também de outros países. Em 2015, aliás, a política afirmou que o Brasil está de "braços abertos" para receber migrantes nessa situação.   

No entanto, também de acordo com a "BBC Brasil", o governo do presidente interino Michel Temer está assumindo uma postura mais fechada e restritiva em relação ao apoio dado a refugiados e imigrantes no geral e mais preocupada com as fronteiras nacionais, vulneráveis ao tráfico de drogas e armas.   

Além disso, poucos dias depois do afastamento de Dilma, Temer se encontrou com a Polícia Federal e com ministros para discutir o tema, visto como de extrema importância e urgência por Morais e pelo atual ministro das Relações Exteriores, José Serra.   

Só no ano passado, a Europa recebeu mais de um milhão de estrangeiros e vive a pior crise migratória desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945). Já desde 2014, o número de imigrantes que morreram ao tentar atravessar o Mar Mediterrâneo é de 10 mil, quantidade "extremamente inquietante", afirmou o Acnur. (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos