Eleições municipais na Itália podem ter efeitos nacionais

ROMA, 18 JUN (ANSA) - Neste domingo (19), mais de 8,6 milhões de italianos serão chamados às urnas para o segundo turno das eleições municipais em 126 cidades do país, incluindo seis capitais de região e 14 capitais de província.   

As urnas ficarão abertas das 7h às 23h (das 02h às 18h no horário de Brasília) e estarão distribuídas por mais de 10 mil seções eleitorais. A disputa que chama mais atenção é a da capital da Itália, Roma, onde o pleito pode dar uma vitória inédita ao Movimento 5 Estrelas (M5S), liderado pelo humorista Beppe Grillo.   

Sua candidata na "cidade eterna", Virginia Raggi, é favorita para vencer o postulante do Partido Democrático (PD), Roberto Giachetti, que já havia ficado atrás da rival no primeiro turno.   

Ele é uma aposta pessoal do primeiro-ministro Matteo Renzi, secretário do PD, mas não conseguiu conter o efeito de novidade representado por Raggi.   

Se triunfar, ela será a primeira mulher prefeita de Roma e dará ao populista e antipartidário M5S o comando da maior cidade do país. Outra frente de batalha importante - e imprevisível - é Milão, segunda metrópole da Itália. Na capital da Lombardia, as pesquisas mostram uma disputa bastante apertada entre o ex-CEO da Expo 2015 Giuseppe Sala, apoiado por Renzi, e o executivo Stefano Parisi, pupilo do líder conservador Silvio Berlusconi.   

Como Roma parece estar a caminho do Movimento 5 Estrelas, uma vitória em Milão é crucial para não enfraquecer o projeto nacional do Partido Democrático e do primeiro-ministro. Renzi vê nas eleições municipais uma maneira de se fortalecer para o decisivo referendo constitucional que será realizado em outubro.   

Se a população vetar a reforma que reduz os poderes do Senado, o chefe de governo prometeu deixar a política.   

O PD já ficou de fora do segundo turno em Nápoles - terceira metrópole da Itália e onde a disputa se dá entre o prefeito Luigi de Magistris (Lista Cívica) e Gianni Lettieri (FI) -, por isso derrotas em Roma e Milão seriam um duro golpe na relativa estabilidade mantida pelo primeiro-ministro até aqui.   

A situação da centro-esquerda parece mais tranquila em Turim e Bolonha, onde os prefeitos Piero Fassino e Virginio Merola são favoritos contra os rivais Chiara Appendino (M5S) e Lucia Borgonzoni (Liga Norte e FI), respectivamente. A outra capital regional em disputa é Trieste, que deve ter uma vitória do conservador Roberto Dipiazza. (ANSA)
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