Kirchnerismo sofre forte golpe com 'escândalo do convento'

BUENOS AIRES, 20 JUN (ANSA) - A prisão do ex-secretário de Obras Públicas José López, grande aliado dos ex-presidentes da Argentina Néstor Kirchner e Cristina Kirchner, na última semana, após ser pego tentando esconder uma fortuna de mais de US$ 8,5 milhões em um convento perto de Buenos Aires, representa um forte golpe para o kirchnerismo, que tenta desvincular sua imagem do escândalo, enquanto vai perdendo representantes. José López, que atuou na gestão do casal Kirchner de 2003 a 2015, foi preso com 160 sacos repletos de pesos argentinos que seriam escondidos em um monastério da cidade de General Rodríguez, a cerca de 40 quilômetros da capital. No momento da detenção, a Polícia pediu explicações da origem do dinheiro, pois José López já era investigado em um processo por enriquecimento ilícito. A imprensa local especula se a soma se trataria de propinas recebidas durante sua gestão para facilitar o contrato de obras públicas.   

O escândalo traz duramente à tona as denúncias de corrupção que mancharam o mandato da ex-presidente durante seu segundo mandato (2011- 2015).   

Nos dias seguintes, o kirchnerismo, que já recebeu um duro golpe quando não conseguiu eleger um sucessor após três gestões no Poder, começou a perder representantes. Até o momento, três deputados e uma senadora deixaram a aliança, ampliando uma debandada registrada desde o começo do ano.   

Como resposta ao escândalo, o deputado e presidente do Partido Justicialista (Peronista), José Luis Gioja, e o líder da bancada kirchnerista, Héctor Recalde, pediram medidas exemplares contra os corruptos.   

Gioja disse que o caso de López "é um tapa na cara da democracia", ratificando seu "mais enérgico repúdio" ao caso.   

A deputada da Frente para a Vitória (de orientação kirchnerista), Nilda Garré, por sua vez, declarou se sentir "indignada" pelo escândalo e assegurou que dentro do kirchnerismo "todos se sentem muito mal". "Acredito que Cristina Kirchner está muito machucada e preocupada", concluiu.   

"Esperamos que a Justiça atue rápido. A população está esperando que estes temas sejam esclarecidos. O povo está farto", acrescentou.   

Para a deputada da aliança Cambiemos, governista, Elisa Carrió, é "fundamental" que a investigação continue até chegar ao nome de Cristina.   

Histórico - López foi achado pela Polícia após começar a jogar sacos de dinheiro sobre um muro do monastério das Monjas Orantes e Penitentes de Nossa Senhora de Fátima na última semana, onde pretendia enterrá-los. Um vizinho viu a cena e acionou as autoridades locais. O ex-funcionário do casal Kirchner tentou subornar os agentes de segurança e depois acusou-os de "roubarem" o dinheiro que ele queria "doar" ao convento. López ocupou por mais de uma década o cargo de secretário de Obras Públicas dentro do Ministério de Planejamento Federal. Na prática, ele era o número dois da pasta, ocupada pelo ministro Julio de Vido. Formado em engenharia civil, López iniciou sua carreira na administração pública em 1991, na província de Santa Cruz, onde nasceu o ex-presidente Néstor Kirchner. (ANSA)
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