Donald Trump e 'Brexit', unidos pelo populismo

NOVA YORK, 21 JUN (ANSA) - Duas das principais batalhas eleitorais de 2016 parecem interligadas por um nome: Donald Trump. Ou ao menos pelo que ele representa. Enquanto o populismo e o protecionismo o levaram a ser candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, um discurso de tons semelhantes pode determinar a saída do Reino Unido da União Europeia.   

E ambos - tanto Trump na Casa Branca quanto uma chamada "Brexit" - possuem efeitos econômicos potencialmente perigosos. É o que tenta argumentar a adversária do bilionário, a democrata Hillary Clinton, que nesta terça-feira (21) fez questão de ressaltar os riscos que os dois representam.   

Segundo a ex-secretária de Estado, Trump é "um perigo" para a economia norte-americana, assim como seria um eventual rompimento entre Londres e Bruxelas. A comparação não foi à toa.   

Seja por coincidência, seja de caso pensado, o republicano estará no Reino Unido, mais precisamente na Escócia, no dia do referendo, 23 de junho.   

Ele participará da inauguração do "Trump Turnberry", um exclusivo resort e clube de golfe que comprou por US$ 51 milhões em 2014 e agora entregará totalmente reestruturado. Embora nunca tenha se expressado explicitamente a favor da Brexit, o candidato já disse que talvez a melhor hipótese para os britânicos fosse a saída da União Europeia. Do italiano Matteo Salvini à francesa Marine Le Pen, passando pelo britânico Nigel Farage (uma das estrelas da campanha pela Brexit), os principais líderes eurocéticos já declararam torcida por Trump. O que os une, ainda que o republicano pareça ser muito mais adaptável às circunstâncias do que os outros três, é um discurso de claros contornos populistas e radicalmente contrário à integração, tanto política quanto econômica.   

Trump construiu sua candidatura apoiando-se no nacionalismo exacerbado e no anseio de devolver o país a um suposto tempo de glórias, expressado pelo slogan "Make America Great Again" ("Fazer a América Grande Novamente", em tradução livre). O bilionário também verbaliza e propaga o medo de imigrantes - principalmente muçulmanos - presente em boa parte da sociedade.   

Entre os seus alvos ainda se incluem os chineses, a quem acusa de roubar empregos dos EUA, e os vizinhos mexicanos.   

À moda britânica, todos esses temas abasteceram a campanha a favor do divórcio com Bruxelas. Nigel Farage, que lidera o Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip), critica duramente a integração europeia, é a favor de medidas para bloquear a entrada em massa de imigrantes e denuncia o risco de "islamização" do país.   

Segundo ele, uma "invasão" em solo britânico poderia tirar empregos dos habitantes locais. Assim como Trump, Farage é muitas vezes acusado de xenofobia. Outra semelhança entre as duas votações é que o magnata ascendeu fazendo duras críticas ao establishment, o mesmo que no Reino Unido apoia a permanência na UE. (ANSA)
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