EUA lança estudo inédito contra zika com 10 mil grávidas

WASHINGTON, 21 JUN (ANSA) - Em uma investigação inédita, 10 mil mulheres grávidas serão acompanhadas durante toda a gestação por médicos dos Estados Unidos que apuram os efeitos do vírus zika. Os especialistas querem detectar dados como o período mais perigoso para o contágio, os sintomas da infecção e, principalmente, os danos que o zika vírus pode acarretar no desenvolvimento neurológico dos fetos. O mega estudo internacional será dirigido por pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), de acordo com um anúncio feito nesta terça-feira (21). As grávidas que participarão da pesquisa serão voluntárias de várias regiões da América do Sul e do Caribe, zonas fortemente afetadas com o surto do zika. No Brasil, o estudo contará com o apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As mulheres passarão por exames mensais e terão um acompanhamento dos pesquisadores por seis semanas depois do parto, que analisarão até o lei materno. Já os bebês que nascerem com alguma sequela do zika vírus terão um acompanhamento de ao menos um ano. "O estudo quer descobrir em qual etapa da gravidez o vírus é mais agressivo", disse o NIH em um comunicado. O projeto parte com um investimento de US$ 500 milhões que foram cortados de outras pesquisas e destinados a essa pelo governo de Barack Obama, disse Anthony Fauci, diretor do departamento de Doenças Infeccionas de Atlanta. "Mas não conseguiremos completar o estudo se não recebermos fundos adicionais que já solicitamos", confessou. Seria necessário ao menos US$ 1,9 milhão para estudar o zika vírus, cifra pedida por Obama, mas que não foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos. O zika se enquadra no gênero Flavivirus, da família Flaviviridae, e é transmitido por picadas de mosquitos do gênero Aedes. Recentemente, a Agência de Administração Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) autorizou duas empresas farmacêuticas a começarem o primeiro teste de uma vacina experimental contra o zika em humanos. A vacina, denominada GLS-5700, passará para uma nova fase, na qual serão testados seus efeitos em 40 voluntários saudáveis. Em testes com animais, o composto já demonstrou induzir efeitos eficazes em anticorpos e células T, responsáveis por coordenar a resposta de imunização celular. (ANSA)
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