França veta manifestação pela 1ª vez em mais de 50 anos

PARIS, 22 JUN (ANSA) - Pela primeira vez em mais de 50 anos, a Prefeitura de Polícia de Paris, subordinada ao Ministério do Interior, proibiu a realização de uma manifestação na cidade.   

Após ter obrigado os sindicatos franceses a realizarem um "protesto estático" ao invés de passeatas, o órgão suspendeu "por motivos de segurança" um ato contra a reforma trabalhista do presidente François Hollande que estava previsto para esta quinta-feira (23).   

Nos últimos dias, o primeiro-ministro Manuel Valls já havia pedido para as entidades sindicais anularem o ato por causa da realização da Eurocopa 2016, mas a solicitação foi ignorada. O último veto a uma manifestação pública na França havia ocorrido em 1962, na época da Guerra da Argélia.   

Até a Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), sindicato que se comprometeu a apoiar a reforma, criticou a proibição anunciada pela Prefeitura de Polícia de Paris. Mesmo não aderindo ao protesto que estava programado para esta quinta, a entidade afirmou que é "indispensável" encontrar os meios para garantir as "mobilizações sindicais".   

Por sua vez, o socialista Hollande ressaltou que a liberdade de greve e manifestação é um direito fundamental, mas acrescentou que é preciso evitar danos ao bem público e garantir a segurança das pessoas. "Quando não há essas condições, não podemos autorizar [os atos]", disse.   

Nos protestos do último dia 14 de junho, Paris foi tomada por confrontos e episódios de violência que deixaram cerca de 30 feridos e um rastro de destruição na capital. Desde então se cogitava a hipótese de restringir manifestações sindicais na cidade. Os principais álibis do governo são a realização da Euro 2016, que tem concentrado as atenções da polícia, e o dispositivo antiterrorismo do país.   

Segundo o Palácio do Eliseu, não há forças o suficiente para abrir uma "terceira frente". A reforma trabalhista tem como meta dar mais flexibilidade para empresas negociarem as jornadas diretamente com seus funcionários. Além disso, o projeto prevê o relaxamento das normas para demissão sem justa causa e a redução dos valores pagos por horas extras. (ANSA)
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