México teme violência em Parada do Orgulho Gay

Por Marcos Romero CIDADE DO MÉXICO, 22 JUN (ANSA) - Os organizadores da Parada do Orgulho Gay da Cidade do México temem que o evento seja alvo de violência após o presidente Enrique Peña Nieto ter proposto o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aumentando a tensão no país, e em meio a recentes ataques contra redutos gays, que deixaram dezenas de mortos nos últimos dias.   

Os organizadores alertaram para um aumento das ameaças e do discurso de ódio poucos dias antes da parada, programada para o próximo sábado, quando são esperadas mais de 800 mil pessoas.   

O coordenador de imprensa do "Comité Incluye T", Cristian Galarza, disse ter recebido "intimidações" por meio de redes sociais como Facebook e Twitter.   

Desde que Peña Nieto assinou "iniciativas de reforma" da legislação, em maio, aumentou a tensão entre grupos LGBT e líderes da Igreja Católica local, uma das mais fortes do mundo, e de organizações de extrema direita.   

Atualmente, o casamento homossexual é permitido apenas em alguns estados, como Quintana Roo, Coahuila e Morelos, e na capital.   

A Igreja classificou como "destrutiva e imoral" a proposta, que ainda pede uma mudança constitucional para que os casais gays possam adotar crianças.   

Carlos Ramírez, porta-voz da Frente Nacional pela Família, que reúne cerca de mil organizações conservadoras, disse há alguns dias achar "inacreditável" que o presidente "esteja cedendo ao lobby gay e promova leis que beneficiem algumas pessoas, atacando e destruindo a família".   

Segundo a presidente da ONG Famílias pela Diversidade Sexual, Miriam Angel, "a ignorância sobre o tema criou obstáculos para os avanços em direção a uma sociedade mexicana mais justa, inclusiva e respeitosa".   

"Tudo que é diferente causa medo em certos heterossexuais, os atemoriza e isso gera homofobia, transfobia e lesbofobia", acrescentou.   

Além disso, os temores subiram após o ataque na boate gay Pulse, em Orlando, Flórida, que deixou ao menos 49 mortos, entre eles três mexicanos. Um mês antes, um homem armado com uma AK 47 abriu fogo em um bar gay em Xalpa, no estado de Veracruz, deixando sete mortos e outros cerca de 180 feridos. (ANSA)
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