Após 6 anos, Turquia e Israel firmam acordo de reconciliação

INSTAMBUL E TEL AVIV, 27 JUN (ANSA) - Após seis anos de congelamento na diplomacia, líderes da Turquia e de Israel anunciaram que chegaram a um acordo de normalização das relações diplomáticas nesta segunda-feira (28).   

O documento, que será assinado nesta terça-feira (28), foi negociado por todo o domingo (25) em Roma e foi considerado um pacto de "reconciliação" pelo primeiro-ministro turco, Binali Yildrim. Para seu homólogo israelense, Benjamin Netanyahu, essa "reconciliação" tem muita "importância estratégica". As duas nações haviam congelado as relações diplomáticas e comerciais após um incidente em 2010. Forças militares israelenses atacaram o navio Mavi Marmara, que havia sido fretado por entidades humanitárias turcas para levar ajuda ao povo palestino na Faixa de Gaza. Como a área é bloqueada pelos militares de Jerusalém, a ação resultou na morte de nove turcos que guiavam a embarcação.   

O líder político de Israel ainda informou alguns dos pontos mais importantes do documento. Entre os quais, estão a manutenção do bloqueio naval no acesso à Faixa de Gaza, mas a permissão da passagem de ajuda humanitária através do porto israelense de Ashdod. O premier turco informou que "o primeiro navio com ajuda humanitária para Gaza chegará a Ashdod na sexta-feira (01)".   

Yildrim informou ainda que o acordo "diminuirá substancialmente" o bloqueio à ajuda para os palestinos. Além disso, os turcos se comprometeram em não "perseguir" os militares israelenses envolvidos na operação naval de Mavi Marmara nos tribunais e em não permitir operações "terroristas" anti-Israel, incluindo o recolhimento de fundos. A Turquia ainda irá ajudar na busca dos corpos de dois soldados israelenses que morreram em Gaza, em 2014, e que foram mantidos presos pelo grupo Hamas e de dois israelenses que entraram no território palestino e estão desaparecidos. De acordo com Netanyahu, a Turquia ajudará seu país a ingressar em organizações internacionais e favorecerá as relações econômicas bilaterais, entre as quais, aquelas relativas à exploração de gás natural no Mediterrâneo. Fontes próximas às negociações informaram ainda que foi firmado um acordo que estabelece a importação de US$ 20 milhões como forma de compensar às nove famílias dos militares envolvidos naquela operação na Faixa de Gaza. Anfitrião da reunião, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, disse que o "acordo entre Israel e Turquia é um sinal muito importante pensando no que aconteceu nos últimos 10 anos naquela área". Renzi e Netanyahu tiveram um encontro oficial na manhã de hoje.   

- Hamas: Um dos líderes do Hamas, Osama Hamdan, que conta com o apoio do governo turco, informou que o grupo não está ligado ao pacto que será assinado amanhã. Já o ministro da Informação, Yusseff Rizqa, ressaltou que "as relações entre o Hamas e a Turquia permanecem fortes como no passado". O ministro elogiou os turcos por terem negado o pedido israelense de fechar os escritórios da facção na Turquia e de estar empenhado em construir uma central elétrica em Gaza. Outro expoente palestino, Ismail Radwan, disse que sua organização não fornecerá a Israel nenhuma informação "sobre prisioneiros em Gaza". (ANSA)
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