Após 2 anos, califado do EI está mais fraco do que parece

Por Beatriz Farrugia SÃO PAULO, 29 JUN (ANSA) - Enquanto pairam as suspeitas de que o Estado Islâmico estaria envolvido no atentado ao aeroporto de Istambul, na Turquia, o grupo extremista mais temido da atualidade comemora os dois anos da criação de seu califado sunita sob liderança de Abu Bakr al Baghdadi. Nas redes sociais, onde o EI (também chamado de Isis, em inglês, ou Daesh, em árabe) tem forte atuação para propaganda ideológica e recrutamento de jihadistas, circularam fotos de Baghdadi e infográficos narrarando as atividades da organização nesses dois anos de califado, anunciado no dia 30 de junho de 2014 em um vídeo oficial. O califado do EI vai da província de Diyala, no Iraque, até Aleppo, na Síria, levando dois países com instabilidades internas para a mesma guerra. Com o apoio de diversos outros grupos extremistas espalhados pelo mundo, com verbas milionárias por dominar zonas de exploração de petróleo, uma grande habilidade no uso de redes sociais e um sofisticado sistema de recrutamento de jihadistas e "lobos solitários" (que cometem atentados de maneira independente), o Estado Islâmico é considerado a maior ameaça da atualidade. O grupo já conseguiu sangrar capitais europeias como Paris e Bruxelas, aterrorizar os norte-americanos com a possibilidade de atentados com "lobos solitários" em seu próprio solo e fazer o russo Vladimir Putin enviar tropas para a Síria. No entanto, um levantamento feito pelo centro de análise de risco geopolítico, inteligência e espionagem Stratfor, afirma que o Estado Islâmico está em crise, mais fraco do que aparenta.   

De acordo com o levantamento, o EI tem perdido o controle de áreas importantes no norte da Síria e do Iraque e teme uma potencial redução em seu número de combatentes e recursos materiais. Isso porque os bombardeios da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, assim como as ações das tropas russas em conjunto com o regime sírio de Bashar al-Assad, isolaram muitos jihadistas e atingiram suas refinarias de petróleo. Os ataques também mataram líderes importantes do grupo, como Abd al Rahman Mustafa al Qaduli, considerado o número 2 da organização.   

Pela primeira vez desde a criação do califado, o norte de Aleppo está sitiado por três lados. Rebeldes da cidade de Azaz conseguiram avançar para o leste do território do EI, embora seu avanço seja abrandado pelos combatentes curdos locais. Ao sul, forças de Assad, com apoio aéreo russo, controlam a área de Kweiris desde novembro e estão prontos para avançar pelo norte e dominar o município de Al-Bab. A oeste, as forças sírias e os soldados norte-americanos lançaram uma ofensiva pelo Rio Eufrates para retomar o controle de Manbij. Atacados pelo leste, oeste e sul, os jihadistas do Estado Islâmico sofrem ainda com as forças turcas na fronteira e os bombardeios da coalizão internacional. Considerada a capital do Estado Islâmico, a cidade de Raqqa também está sob ameaça. Assim como em Aleppo, as tropas sírias lançam ofensivas desde maio para retomar o poder da região.   

Damasco já conseguiu conquistar outras cidades importantes, como a histórica Palmira, que estava sob domínio do EI desde o início de 2015.   

Há quase 10 dias, após uma longa batalha, as forças iraquianas também reconquistaram o centro de Fallujah, assim como o norte de Mosul, que já está sob domínio das tropas de Bagdá. No entanto, mesmo com sua base em erosão, o Estado Islâmico continua sendo uma ameaça à segurança, principalmente por sua versatilidade em adotar novas táticas de combate, e um desafio para as agências de contraterrorismo. (ANSA)
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