Não corto cabeças de quem não quer Igreja aberta, diz papa

  • Giorgio Onorati/AFP

    27.fev.2016 - Papa Francisco troca presentes com o seu conterrâneo, o presidente argentino, Mauricio Macri, durante audiência privada no Vaticano

    27.fev.2016 - Papa Francisco troca presentes com o seu conterrâneo, o presidente argentino, Mauricio Macri, durante audiência privada no Vaticano

Por Giovanna Chirri SÃO PAULO, 03 JUL (ANSA) - O papa Francisco deu uma entrevista ao jornal argentino "La Nacion", publicada neste domingo (3), e falou sobre os problemas em lidar com os "conservadores" da Igreja Católica. "Eles fazem o trabalho deles e eu faço o meu. Eu desejo uma Igreja aberta, compreensiva, que acompanhe as famílias feridas", afirmou.   

"Eles dizem não a tudo. Eu continuo no meu caminho sem olhar para o lado. Não corto cabeças. Nunca gostei de fazer isso. Eu repito: não quero conflito. Os pregos a gente remove fazendo pressão para o alto. Ou se deixa eles repousando, de lado, para quando chegar a idade aposentadoria", disse o pontífice sobre a postura dos religiosos conservadores em seu papado.

Ainda sobre os conservadores, o argentino confirmou com tons muito claros as suas visões sobre a Igreja e sobre seu papel. "Os conflitos, também em temas internos, serão enfrentados e governados, e a proposta de diálogo está endereçada a todos. Quem não se sente capaz de aceitar essa proposta, não põe mais tantos obstáculos no caminho papal, pois antes ou depois, irá se aposentar, porque Francisco não vai cortar suas cabeças", disse.

A visão de conflito rebatida por Bergoglio vai de acordo com a convicção de que o papa latino-americano - mais de uma vez expressada e nem sempre bem recebida pela máquina vaticana - quer que a Igreja comece a ativar processos e a não ocupar espaços. Além disso, o papa respondeu amplamente a questões relacionadas ao novo presidente argentino, Mauricio Macri, e sobre seu antecessor, o papa emérito Bento16.

"Ele tem problemas de locomoção", diz Bergoglio sobre seu antecessor. "Mas a sua cabeça e a sua memória estão intactas, perfeitas. Ele foi um revolucionário", afirmou. "Na reunião com os cardeais, pouco antes do conclave de março de 2013, ele nos disse que um de nós seria o próximo papa e que ele não sabia o nome. A sua dedicação foi irreparável. A sua renúncia colocou em evidência todos os problemas da Igreja. A sua renúncia não teve nada de pessoal. Foi um ato de governo, seu último ato de governo", destacou.

Questionado pelo "La Nacion" sobre o presidente argentino, o Francisco afirmou que "Macri parece uma pessoa bem nascida e nobre". Ao ser perguntado se teve problemas com o político, o papa respondeu que "uma vez apenas, em Buenos Aires, durante mais de seis anos de convivência".

"Ele como chefe de governo da capital e eu como arcebispo. Uma vez apenas em tanto tempo. A média é muito baixa. Alguns outros problemas nós conversamos de maneira privada e resolvemos de maneira privada. E nós dois nos respeitamos sempre de acordo com a privacidade. Não busquem motivos. Não há nenhuma explicação para a história que dizem que eu tenho conflitos com Macri", ressaltou. (ANSA)

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