Diante de acusações, Cristina Kirchner diz ser perseguida

BUENOS AIRES, 4 JUL (ANSA) - A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner se defendeu das acusações de corrupção que vêm surgindo à tona nos últimos meses e criticou duramente o governo de seu rival Mauricio Macri em uma das poucas entrevistas realizadas desde que deixou o Poder, em dezembro.   

No programa "Economías Política", que foi ao ar na noite do último domingo, dia 3, na Argentina, Cristina disse que "não se trata de uma sensação, é claro e evidente que estou sendo perseguida".   

Ela ainda negou que teria recebido propina do empresário Lázaro Báez, preso há cerca de dois meses por lavagem de dinheiro, por meio do aluguel de quartos em seus hotéis que não estavam sendo usados.   

"Alguém pensar que, em um plano de obras públicas milionário, se faz uma manobra de corrupção com um, dois ou três imóveis, que têm cifras absolutamente irrisórias, por favor! Seria um caso único de corrupção", ironizou.   

Cristina ainda disse que irá propor à Justiça uma auditoria de todas as obras realizadas durante seu governo (2007-2015). "Temos que fazer uma auditoria porque isso de alguém afirmar alegremente que há superfaturamento na obra pública ou mentir que alguém está desviando dinheiro através do aluguel de um imóvel é um absurdo".   

Macri - Sobre o governo do rival, cuja política econômica vai na contra-mão do kirchnerismo, Cristina disse que "é notório o nível baixo de qualidade [de vida]".   

Segundo ela, o aumento dos impostos, apelidado de "tarifaço", foi "monstruoso" para a população e os comerciantes.   

Brasil - Questionada sobre o Brasil, grande parceiro comercial de Buenos Aires, disse que Dilma Rousseff, assim como acontece na Argentina, sofre com uma intervenção. Sem citar o governo de Washington, ela defende que isso acontece "talvez por termos aberto nossas econômicas a outras latitudes", como China e Rússia. Histórico - Cristina foi recebida na noite do último sábado por centenas de simpatizantes em Buenos Aires. É a segunda vez que retorna à capital -- ela mora em El Calafate, no sul do país --, a pedido da Justiça, em meio à investigação por suspeita de fraude. Ela ainda é investigada por suposta lavagem de dinheiro e denúncias de enriquecimento ilícito enquanto esteve na Presidência. Além disso, o kirchnerismo recebeu um forte golpe após a prisão do ex-secretário de Obras Públicas José López, grande aliado de Néstor Kirchner e Cristina, após ser pego tentando esconder uma fortuna de mais de US$ 8,5 milhões em um convento perto de Buenos Aires. José López, que atuou na gestão do casal Kirchner de 2003 a 2015, foi preso com 160 sacos repletos de pesos argentinos que seriam escondidos em um monastério da cidade de General Rodríguez. A imprensa local especula se a soma se trataria de propinas recebidas durante sua gestão para facilitar o contrato de obras públicas. (ANSA)
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