Pai de ministro italiano pediu contratação de 80 pessoas

ROMA, 05 JUL (ANSA) - Fiador do governo do premier Matteo Renzi, o ministro do Interior da Itália, Angelino Alfano, foi tragado para o centro de um escândalo de corrupção que pode chacoalhar a já turbulenta política italiana nas próximas semanas.   

Interceptações telefônicas realizadas pela Promotoria de Roma no âmbito da operação Labirinto, que já levou à prisão de 24 pessoas, incluindo um deputado, levantam suspeitas de tráfico de influência envolvendo a família de Alfano.   

Em uma delas, Raffaele Pizza, irmão de um ex-aliado de Silvio Berlusconi e tido como intermediador entre estatais e empresários interessados em participar de licitações, diz a Davide Tedesco, assessor do ministro do Interior, que facilitou a contratação de seu irmão, Alessandro Alfano, pela empresa pública de correios Poste Italiane.   

"Eu considero Angelino um amigo, se eu posso ajudá-lo... Uma vez o irmão me ligou para me dar os parabéns. Você deve saber que ele não podia ter mais do que 170 mil euros [de salário anual], e eu consegui 160 mil para ele", diz Pizza na ligação.   

Alessandro é dirigente da Postecom, subsidiária da Poste Italiane que presta serviços de internet.   

Pizza, que está entre os detidos na operação Labirinto, é acusado de favorecer a nomeação de pessoas próximas a ele em sociedades estatais. Segundo a Promotoria de Roma, ele se ocupava do relacionamento com políticos e os "mais altos cargos institucionais".   

Além disso, outro fator que complicou Alfano foi o aparecimento de seu pai nas interceptações. De acordo com a Procuradoria, o genitor do ministro enviou 80 currículos para serem admitidos em companhias estatais. Em um grampo, uma das investigadas, Marzia Carpaccio, secretária de Pizza, afirma: "O pai dele [de Alfano] me ligou e me enviou 80 currículos... 80... Dizendo 'não se preocupe, você os coloca para dentro, e nós administramos a situação'".   

Acuado, o ministro do Interior partiu para o ataque. "Estamos frente à utilização política dos resíduos de uma investigação judicial. As interceptações não dizem respeito a mim, mas sim a terceiros e quartos que falam de mim. Gente que não vejo há anos", disse.   

Mais do que chefe de uma das pastas mais importantes do país, Angelino Alfano é quem garante a sobrevivência de Matteo Renzi.   

Seu movimento, a Nova Centro-Direita (NCD), dá sustentação ao gabinete centro-esquerdista do Partido Democrático (PD), que, assim como todas as outras formações presentes no Parlamento, não tem maioria para governar sozinho.   

Para não desagradar seu aliado, Renzi e o PD já foram forçados inclusive a suavizar o projeto que autoriza a união civil entre homossexuais na Itália, retirando da lei os artigos que a equiparavam ao casamento e permitiam a adoção por casais gays.   

(ANSA)
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