Mexicana 'TV Azteca' anuncia fim das famosas 'telenovelas'

Por Marcos Romero CIDADE DO MÉXICO, 11 JUL (ANSA) - A segunda cadeia televisiva mais importante do México, a "TV Azteca", anunciou que deixará de produzir as famosas e tradicionais "telenovelas" por que "já não são algo que o público queira continuar a ver".   


A repentina decisão entristeceu várias pessoas, já as novelas mexicanas são produtos que surgiram da cultura popular e que fizeram ao menos três gerações de mexicanos rirem e chorarem, mas não surpreendeu totalmente os especialistas.   


A chegada do streaming, com o Netflix e com os vídeos na internet, fizeram com que as grandes empresas de entretenimento do México, como a "Televisa" e a "TV Azteca", cambaleassem com seus principais produtos, as novelas.   


No ano passado, em entrevista para a publicação "The Wall Street Journal", o vice-presidente executivo da "Televisa", Alfonso de Angoitia, disse que era evidente "a fragmentação da audiência a partir de uma alta penetração da televisão paga e de outras plataformas" e qualificou como "uma tempestade", a queda da demanda de publicidade nos intervalos. Com já lendárias e bem sucedidas produções, como "Los Ricos También Lloran", "Rosa Salvaje", "El Derecho de Nacer", "Cuna de Lobos" e "Simplesmente María", que lançaram ao estrelato atrizes como Thalía, Veronica Castro e Lucía Mendes, as "telenovelas" parecem perder espaço, ao menos em seu estilo tradicional.   


O CEO da "TV Azteca", Benjamín Salinas, disse que fizeram as novelas por 20 anos, porém agora têm que "dar um passo para trás, e ver o que as pessoas querem para poder produzir isso". Salinas também disse que a "TV Azteca", principal concorrente da "Televisa" e emissora que surgiu da privatização da cadeia governamental "Inmevsión" na década de 1990, tem como objetivo "oferecer ao país os conteúdos corretos e de alta qualidade para atrair audiências".   


A "TV Azteca", cujas produções de novelas nunca chegaram à altura das da "Televisa", se concentrará nas coproduções, como as que ela já faz com os colossos norte-americanos "Disney" e Sony.   


Por outro lado, as melodramáticas "telenovelas" continuam sendo um dos produtos de peso da "Televisa". A emissora, no entanto, mudou um pouco o velho formato além de abordar temas mais atrevidos e se distanciar do modelo da Cinderela ou dos bons e maus.   


Mesmo assim, são as cadeias televisivas norte-americanas latinas e espanholas, como a "Univisión" e a "Telemundo", ou as colombianas e brasileiras que realmente se atreveram a inovar mais e tratar de temas mais realistas, rompendo assim com os antigos moldes.   


Comparada com elas, "Televisiva" aparece estancada com este gênero e por isso teve que se despedir em março passado de alguns de seus melhores produtores e roteiristas, como Emilio Larrosa e Roberto Hernández, devido à queda da audiência das suas mais recentes produções: "Libre para Amarte" (2014), "Amores con Trampa" e "Amor de Barrio" (ambas de 2015).   


"Suas novelas saem muito caras e já não funcionam", também afirmou a revista de novelas "TV Notas". "Televisa" agora aposta na produção em séries para "Blim", sua plataforma de streaming, mesmo que alguns críticos estimem que os programas se apoiam demais em adaptações de outros estrangeiros.   


É o caso de "El Hotel de los Secretos", baseada na produção espanhola "Gran Hotel" ou de "Yago", adaptada de uma série turca e que foi duramente criticada por ser considerada uma versão ruim e "tropicalizada" do clássico "O Conde de Monte Cristo", de Alexandre Dumas. (ANSA)
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