Novos restos mortais são achados debaixo de trens na Itália

BARI, CORATO E TRANI, 13 JUL (ANSA) - Um dia depois do acidente ferroviário que matou mais de 20 pessoas na região da Puglia, sul da Itália, seguem as buscas por possíveis vítimas do desastre que chocou o país na última terça-feira (12).   

Segundo Clara Minerva, chefe da província de Barletta-Andria-Trani, onde ocorreu a tragédia, o deslocamento dos vagões revelou a existência de novos restos humanos. "A esperança é que pertençam aos 23 corpos já encontrados", declarou.   

Apesar de as autoridades italianas terem divulgado que 27 pessoas haviam morrido no acidente, até o momento apenas 23 foram achadas e levadas ao Hospital Policlínico de Bari, das quais 18 foram reconhecidas. O número de 27 diz respeito à quantidade de desaparecidos, mas eles só serão considerados vítimas após a identificação formal.   

"Há estrangeiros entre os desaparecidos. Recebemos pedidos de notícias por parte da Embaixada da Franca", disse o prefeito de Corato, Massimo Mazzilli. Os parentes dos passageiros sumidos se dirigiram ao Policlínico de Bari já na manhã desta quarta-feira (13) para realizar o reconhecimento, em um clima de grande comoção.   

"Ele estava voltando para casa, tinha ido encontrar uma amiga.   

Por enquanto eu estou aqui, não sei quando sua mãe vai chegar, ela está devastada pela dor", disse um cunhado de Francesco Tedone, jovem de 19 anos morto no acidente. Outras pessoas pediam para os jornalistas se afastarem dos familiares.   

Inquérito - A investigação sobre as causas do desastre ainda está em curso, mas é cada vez mais forte a hipótese de erro humano. O acidente ocorreu na linha entre as cidades de Andria e Corato, em um trecho de binário único, ou seja, com apenas um trilho para ambos os sentidos.   

Os trens se chocaram de frente na saída de uma curva, e acredita-se que os maquinistas sequer tiveram tempo de frear. As composições eram formadas por quatro vagões cada, sendo que os dois primeiros de cada uma ficaram completamente destruídos.   

"O trem que vinha de Andria não devia estar ali", afirmou Massimo Nitti, diretor-geral da Ferrotramviaria, empresa que administra o ramal onde aconteceu a tragédia. "Os maquinistas não podiam se ver. A desgraça foi eles se encontrarem cara a cara na saída de uma curva", acrescentou.   

O objetivo do inquérito agora é descobrir quem deu autorização para a composição proveniente de Andria prosseguir sua viagem.   

No entanto, também está sendo investigado se as autoridades falharam ao não modernizar o trecho de binário único da ferrovia.   

O projeto de duplicação do ramal foi apresentado em 2008 e devia ter sido concluído em 2015, porém até agora não foi terminado.   

As duas caixas-pretas já foram resgatadas e devem ser abertas nesta quarta-feira.   

Já os maquinistas das composições, Luciano Caterino e Pasquale Abbasciano, estão entre as vítimas do acidente. O segundo estava a apenas um ano de se aposentar. (ANSA)
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