Quem é Bouhlel, o homem que cometeu o atentado em Nice?

PARIS, 15 JUL (ANSA) - Mohamed Lahouaiej Bouhlel, de 31 anos, foi apontado pela polícia da França como o motorista do caminhão de cabine branca que arrastou por dois mil metros, a uma velocidade de 80 km/h, uma multidão que se reunia na Promenade des Anglais, principal avenida de Nice, durante a celebração do feriado do Dia da Bastilha, em 14 de julho. Com 31 anos de idade, Bouhlel - que foi assassinado pela polícia logo após cometer o massacre - tinha se divorciado da esposa e apresentava instabilidades emocionais, como depressão, de acordo com relatos de pessoas próximas a ele. Nascido na Tunísia, Bouhlel se mudou para a França em 2011 com passaporte francês adquirido graças ao seu matrimônio. Ele tinha três filhos e seus amigos o descreveram como um homem solitário, não muito religioso, que nem tinha completado o Ramadã neste ano (nono mês do calendário muçulmano, considerado sagrado pelo Islã e marcado pelo jejum do nascer ao pôr-do-sol).   

A polícia conseguiu descobrir sua identidade porque seus documentos ficaram no caminhão que ele alugara para usar na noite de ontem, pouco antes do início da tradicional queima de fogos de artifício na orla de Nice. Bouhlel já tinha passagem pela polícia e estava cumprindo, desde março, uma pena em regime aberto por atos violentos e uso de arma de fogo. Mas seu nome nunca apareceu em listas de suspeitos de terrorismo. "O autor do ataque em Nice é o homem que me agrediu com um taco de baseball. Deveria ficar seis meses na prisão. Onde está a Justiça?", desabafou Jean-Baptiste Ximenes, vítima de Bouhlel em janeiro, em um post no Facebook. Segundo informações de agentes franceses, o agressor teria conseguido burlar o esquema de segurança dizendo ser um entregador de sorvetes. Com isto, teve autorização para percorrer com seu caminhão a orla lotada de Nice. Um grupo de policiais fez buscas no apartamento de Bouhlel e prendeu sua esposa na manhã desta sexta-feira para descobrir possíveis ligações com grupos terroristas. O homem nasceu em 3 de janeiro de 1985, na cidade de M'saken. O nome de sua mãe é Cherifa e sua família ainda mora na Tunísia.   

Ele raramente visitava seu país natal, a não ser para passar férias. No entanto, de acordo com seus amigos, alguns familiares de Bouhlel são ligados a grupos extremistas islâmicos e chegaram até a ser condenados durante o governo de Ben Ali. Depois de 2011, com a queda do regime na Primavera Árabe, receberam anistia geral. O pai de Bouhlel é notoriamente conhecido na política da Tunísia pelo partido islâmico Ennahda. Representantes da Prefeitura de Msaken foram até a casa da família nesta manhã, mas não encontraran ninguém. Os familiares de Bouhlel foram convocados para prestar depoimento nesta sexta-feira, em uma delegacia de El-Alia, em Bizerta. Um familiar seu também seria funcionário no aeroporto de Nice, que foi evacuado pela polícia mais cedo. Reconstrução do atentado: O ataque ocorreu por volta das 22h30 locais (17h30 de Brasília), quando Bouhlel pegou um caminhão alugado e percorreu cerca de dois quilômetros em zigue-zague, para atingir o maior número de pessoas possível. Vídeos publicados no YouTube mostraram dezenas de corpos espalhados pelas ruas. Entre as vítimas e feridos, há muitas crianças que não conseguiram fugir e foram arrastadas pelo tumulto e pânico generalizados. O caminhão parou a 300 metros de onde ocorria a queima de fogos, diante do Palais de la Méditerranée. Ao descer do veículo, o motorista abriu fogo contra o público, iniciando um tiroteio com a polícia, no qual foi abatido.   

O caminhão usado no ataque estava estacionado em uma rua de Nice desde o dia 13 e ficou no local por nove horas seguidas, fechado. Bouhlel chegou até o veículo de bicicleta, sozinho.   

O veículo foi alugado no dia 11 de julho e deveria ter sido devolvido no próprio dia 13. A bicicleta de Bouhlel foi encontrada dentro do veículo. (ANSA)
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