Após tentativa de golpe, Turquia afasta 2,7 mil juízes

ANCARA, 16 JUL (ANSA) - Algumas horas depois da tentativa fracassada de golpe de Estado na Turquia, o órgão de controle de magistrados e procuradores removeu do cargo 2.745 juízes de todo o país.   

Segundo a agência estatal "Anadolu", a decisão tem como objetivo adotar medidas disciplinares contra os suspeitos de ligação com o clérigo muçulmano Fethullah Gülen, acusado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan de estar por trás da revolta da última quinta-feira (15).   

Ele lidera o Gülen - também conhecido como "Hizmet" ("Serviço", em turco) -, movimento que se diz laico, mas prega uma versão moderada do Islamismo. Segundo Erdogan, seus membros estão infiltrados em todos os aparatos do Estado.   

O clérigo apoiou o presidente até 2013, mas a aliança foi rompida após o governo ter fechado diversas escolas gülenistas na Turquia. Gülen, que vive em exílio voluntário nos Estados Unidos, nega "categoricamente" qualquer participação no golpe.   

"Condeno nos termos mais fortes a tentativa de golpe de Estado militar na Turquia. O governo deve ser conquistado por meio de um processo de eleições livres e justas, não pela força", declarou o imã em um comunicado.   

As autoridades turcas ainda prenderam pelo menos 10 juízes da Suprema Corte da justiça administrativa, também por suspeita de ligação com Gülen. Há temores de que a tentativa de golpe no país sirva como combustível para Erdogan acelerar seu processo de concentração de poder e de repressão a adversários. Seu grande objetivo é transformar a Turquia em uma república presidencialista - hoje ela é parlamentarista.   

A revolta terminou com mais de 2,8 mil militares presos e pelo menos 194 mortos, sendo 104 pessoas descritas como "golpistas", 47 civis, 41 policiais e dois soldados. Alguns homens detidos disseram em interrogatório que acreditavam estar participando de um "exercício", e não de um golpe. Eles afirmaram que só entenderam do que se tratava quando viram cidadãos tentando subir em tanques de guerra.   

Segundo o primeiro-ministro Binali Yildirim, o governo estuda até mudar a legislação para introduzir a pena de morte no país.   

"Discutiremos com outros líderes dos partidos quais medidas devemos adotar para evitar tentativas [de golpe] no futuro", afirmou. (ANSA)
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