Senado veta uso de grampos de Berlusconi com brasileira

ROMA, 20 JUL (ANSA) - Em votação secreta, o Senado da Itália proibiu nesta quarta-feira (20) a utilização de interceptações telefônicas envolvendo o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi no processo "Ruby ter", no qual ele é acusado de corrupção contra o sistema judiciário e falso testemunho.   

O pedido havia sido feito pela juíza de inquérito preliminar de Milão, Stefania Donadeo, mas recebeu o aval de apenas 120 senadores. Outros 130 votaram contra a liberação, e oito se abstiveram. Os 11 grampos em questão foram feitos entre 2012 e 2013, quando Berlusconi ainda era senador, por isso a necessidade de autorização do Parlamento para usá-los em processo.   

As interceptações incluem conversas do ex-primeiro-ministro com a brasileira Iris Berardi e a italiana Barbara Guerra, ambas frequentadoras assíduas do "bunga-bunga", as famosas festas promovidas nas mansões do líder conservador.   

Inicialmente, os alvos dos grampos eram as duas garotas, que também são rés no caso "Ruby ter" por corrupção em atos judiciários. Berardi teria participado das noitadas de Berlusconi quando ainda era menor de idade, mas ela nega ter mantido relações sexuais com o ex-primeiro-ministro.   

A suspeita é que o ex-chefe de governo teria pagado para manter 21 mulheres em silêncio no julgamento do processo "Ruby", no qual ele foi absolvido dos crimes de prostituição de menores e abuso de poder. A defesa de Berlusconi diz que os valores eram apenas uma "liberalidade", e não suborno.   

Em uma das interceptações, a brasileira conta a uma amiga que sentia "falta da mesada do papai", que chegou a ser de 5,5 mil euros (R$ 20 mil, segundo a cotação atual). Com a decisão do Senado, os grampos permanecerão nos autos do processo, mas não poderão ser usados como provas contra Berlusconi.   

Após a contagem dos votos, o populista e antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) iniciou um protesto em plenário, acusando o centro-esquerdista Partido Democrático (PD), do primeiro-ministro Matteo Renzi, de agir para salvar o líder conservador. Por sua vez, o PD disse que o M5S atuou "nas sombras" e fez um pacto com Berlusconi, apesar de afirmarem o contrário.   

Como a votação foi secreta, é impossível descobrir quem está falando a verdade, mas o fato é que um dos dois partidos - ou parcelas generosas de ambos - ficou a favor do ex-chefe de governo. Juntos, o PD e o M5S teriam os votos necessários para autorizar o uso das interceptações. (ANSA)
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