BCE mantém taxas, mas afirma que está pronto para intervir

ROMA, 21 JUL (ANSA) ? O Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas de juros de referência nos mínimos históricos da entidade nesta quinta-feira (21). Com a decisão, o índice principal de juros ficou em 0,0%, a taxa de depósitos bancários ficou em -0,40% e a taxa sobre empréstimos marginais ficou em 0,25%, nos mesmos valores desde março deste ano. Em nota, o órgão europeu afirmou que esses números serão "mantidos a esse nível ou ainda mais baixos por um período prolongado". Já os títulos de flexibilização quantitativa (os chamados "quantitive easing, QE") serão mantidos em 80 bilhões de euros ao mês. Em coletiva de imprensa, o presidente do BCE, Mario Draghi, foi questionado sobre os efeitos da saída da Grã-Bretanha da União Europeia, o chamado "Brexit", na economia do continente. Segundo o mandatário, a entidade já tem "tudo pronto para usar todos os instrumentos disponíveis" atualmente. "O conselho do BCE continuará a monitorar as condições econômicas e financeiras de maneira próxima", ressaltou Draghi afirmando que a vitória do "Brexit" aumentou as "incertezas e a volatilidade dos mercados". "Nos próximos meses, quando tivermos novas informações macroeconômicas", o BCE poderá agir de maneira diferente, disse ainda o presidente do órgão.   

Draghi também precisou responder sobre os efeitos da frustrada tentativa de golpe militar na Turquia sobre a região, mas disse que é "difícil prever" o peso que essa atitude terá "na retomada do crescimento europeu". Além das parcerias comerciais, o governo de Ancara tem papel-chave na questão da gestão da crise imigratória. Na Turquia, atualmente, há cerca de dois milhões de refugiados que poderiam se deslocar para a Europa em caso de problemas mais sérios no país de Recep Tayyip Erdogan.   

- Crédito: Durante a coletiva, Draghi afirmou que é "necessário" que o BCE enfrente a deterioração da qualidade do crédito bancário e não descartou a possibilidade de ajuda financeira. O mandatário citou o mecanismo de "back stop público" para ajudar os bancos "em circunstâncias excepcionais" para evitar a venda deles ou quando esse mercado "estiver sob pressão". Segundo o líder do BCE, essa deterioração é um problema para "a futura rentabilidade dos bancos e a sua capacidade de fazer empréstimos". Draghi ainda disse que os governos nacionais devem agir "plenamente" para fazer funcionar o mercado de créditos inadimplidos (NPL, na sigla em inglês) também através de medidas legislativas. A fala, indiretamente, atinge a Itália. O país enfrenta um alto nível desses créditos deteriorados em sua carteira bancária, o que freia a aprovação de novos financiamentos, já que esses empréstimos dificilmente serão quitados. Apesar das negativas oficiais, a situação dos bancos italianos está no centro das atenções dos mercados globais. (ANSA)
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