Chilena acha substâncias cancerígenas nas águas da Antártica

SANTIAGO, 21 JUL (ANSA) - A substância química bisfenol A, mais conhecida como BPA, foi encontrada em amostras realizadas no começo deste ano nas águas da Antártica como parte de um projeto de tese da chilena Macarena Marcotti Murúa, do curso de veterinária da Universidad Santo Tomás de Viña del Mar.   


"Minha intenção era encontrar resíduos farmacológicos e o movimento das correntes marinhas. No entanto, ao invés disso, encontrei BPA, um componente que já foi demonstrado que é cancerígeno. Em altas concentrações, foi registrada uma toxicidade sistêmica, principalmente em crianças", afirmou a jovem.   


O bisfenol A está presente na confecção de plásticos, recipientes de bebidas, adesivos, equipamentos médicos, materiais de construção e vários outros objetos em todo o mundo.   


Outro componente encontrado nas amostras da estudante foi o ácido salicílico, base da aspirina e também utilizado em cosméticos para a pele.   


Macarena, que ficou mais de um mês na Ilha do Rei George, a maior entre as Ilhas Shetland do Sul, na região da Antártica, afirmou que este químico em particular "tem a propriedade de ser anticoagulante e por isso os animais na água, ao entrar em contato com ele, não conseguem respirar". Um terceiro elemento que estaria prejudicando o meio ambiente aquático da área analisada é o pesticida Irgarol, que tem potentes funções algicidas e é utilizado para que a fauna da região não se incruste nas embarcações comerciais ou de turismo.   


"Ao se usar Igarol em concentrações maiores que as recomendadas ou em lagos mais 'fechados', ele pode provocar impactos sob o fitoplâncton, perifíton e inclusive nos macrófitos ao inibir a fotossíntese, causando [assim] severos danos ecológicos", explicou Macarena.   


O último poluente identificado foi o metilparabeno. "Ele é usado amplamente em conservantes, cosméticos e produtos farmacêuticos, entre outros, devido ao seu baixo custo e atividade fungicida e antimicrobiana. A resistência antimicrobiana aos parabenos tem sido e continua sendo estudada amplamente, por isso se tem que descartar possíveis consequências no futuro", concluiu a chilena. (ANSA)
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