Nas web, extremistas falam há dias sobre ataques no Rio

Por Beatriz Farrugia SÃO PAULO, 21 JUL (ANSA) - A prisão de um grupo que planejava atentados durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro trouxe à tona nesta quinta-feira (21) o debate sobre terrorismo no Brasil. No entanto, extremistas islâmicos vêm publicando há mais de um mês instruções e métodos de ataques nas redes sociais. Uma das principais sinalizações de que o Estado Islâmico (EI, também chamado de Isis ou Daesh) tentava conquistar seguidores no Brasil foi a criação, no fim de maio, de um canal em português na rede social Telegram, nos moldes do já existente "Nashir Channel", que veicula propaganda extremista. Mais recentemente, foi criado outro canal no Telegram, com o nome "Ansar al-Khilafah Brazil", que declarou lealdade ao Estado Islâmico e ao seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi. Foi a primeira vez que um grupo no Brasil e na América do Sul anunciou explicitamente sua filiação à organização sunita. A notícia foi veiculada na segunda-feira (18) pela agência norte-americana de contraterrorismo SITE Intelligence Group. Também foram compartilhados no Telegram manuais e sugestões de métodos para se cometer atentados durante os Jogos Olímpicos.   


Entre as táticas citadas, há sequestros, envenenamento, uso de drones, acidentes de carro, esfaqueamento e veiculação de falsas ameaças. Uma lista, com 17 itens, circulou com explicações de como proceder em cada um dos métodos de atacar. Os alvos principais são as delegações e os turistas dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França e de Israel. O "manual" também orienta a envenenar alimentos e bebidas de bares e restaurantes, atacar partidas de seleções de países considerados "inimigos" (os que integram a coalizão internacional contra o Estado Islâmico) e disparar explosivos com drones com pequenos.   


O item 11 da lista, porém, pede para que os jihadistas evitem atacar mulheres, crianças e países que estão "fora da guerra contra o Islã". Além disso, o item 13 do manual explica que um atentado em grande escala no solo de uma nação neutra (o caso do Brasil) pode fazer com que mais países passem a integrar a coalizão internacional contra o EI. No Twitter, rede social amplamente usada para divulgação de propaganda terrorista e recrutamento de jihadistas, também há registros de mensagens sobre possíveis ataques no Rio de Janeiro publicadas desde junho.   


Alguns perfis já vinham sendo monitorados por agências de inteligência, inclusive pela Abin, que identificou um recrutador do Estado Islâmico no Brasil sob o nome de Ismail Abdul Jabbar al-Brazili, apelidado de "O Brasileiro". No último dia 11 de julho, um fórum on-line cujas conversas foram monitoradas pelos hackers do Binary Sec tentava ter notícias de al-Brazili. Foram publicadas mensagens em um grupo pedindo ajuda para localizar o recrutador do EI.   


Os hackers também localizaram mensagens entre os dias 17 e 18 de junho que exibiam fotos de uma AK-47 publicadas por um usuário apelidado de "Wolf", o qual se referia aos Jogos do Rio de Janeiro. Em outro post, um norte-americano se dizia fabricante de armas para o Estado Islâmico no Brasil.   


Nesta manhã desta quinta-feira (21), a Polícia Federal prendeu 10 pessoas que integravam uma célula que planejava atentados para os Jogos do Rio de Janeiro, os quais ocorrerão de 5 a 21 de agosto. As autoridades não forneceram detalhes da identidade dos membros deste grupo, o que tem feito outros extremistas se questionarem nas últimas horas sobre a possibilidade de um dos detidos ser o administrador do canal "Ansar al-Khilafah Brazil" no Telegram. De acordo com o ministro da Justiça e da Cidadania, Alexandre de Moraes, foram expedidos 12 mandados de prisão, mas duas pessoas não foram detidas e seguem sob monitoramento. O grupo não se conhecia pessoalmente (apenas dois membros já tinham tido contato) e se comunicava via redes sociais, inclusive por meio do Telegram e do WhatsApp. As prisões, batizadas de Operação Hashtag, foram realizadas com base na lei antiterrorismo, sancionada em março pela presidente afastada Dilma Rousseff. Os suspeito foram presos por atos preparatórios de terrorismo, já que a Polícia Federal encontrou mensagens sobre a intenção de um dos membros da célula de comprar um fuzil AK 47 no Paraguai. Até a operação de hoje, a única ameaça concreta contra o Brasil que ficou conhecida mundialmente era a mensagem publicada por Maxime Hauchard, um dos líderes do Estado Islâmico, logo após os atentados de 13 de novembro, em Paris. "Brasil, vocês são o próximo alvo", escreveu o jihadista. (ANSA)
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