PF prende grupo que planejava atentado terrorista nos Jogos

Beatriz Farrugia SÃO PAULO, 21 JUL (ANSA) - A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (21) a prisão de um grupo que preparava atentados terroristas durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que começam no próximo dia 5 de agosto.   


Ao menos 10 brasileiros, em 10 estados diferentes do Brasil, foram presos na Operação Hashtag, que expediu 12 mandados de detenção temporária por 30 dias, podendo ser prorrogados por mais 30. Os outros dois suspeitos ainda não foram detidos, mas estão sendo monitorados. Nenhum nome foi divulgado para manter o sigilo da investigação. Há um menor de idade na célula. Em uma coletiva de imprensa nesta manhã, o ministro da Justiça e da Cidadania, Alexandre de Moraes, disse que os detidos são brasileiros que conversavam através de redes sociais, entre elas o Telegram. Moraes ressaltou que o grupo não se encontrava pessoalmente e apenas dois membros se conheciam. Alguns já tinham realizado o "batismo" virtual, declarando apoio à organização extremista Estado Islâmico (EI, também chamado de Isis ou Daesh) nas redes sociais. "O máximo que houve foi uma comunicação entre os membros do grupo e um deles queria ir para o exterior, onde o Estado Islâmico atua, para fazer contato com eles. Mas o próprio membro admitiu que não conseguiria viajar por falta de dinheiro", disse Moraes.   


O ministro também informou que um membro da célula tentou comprar um fuzil AK-47 no Paraguai e que todos discutiam possibilidades de atentados. A Polícia Federal realizou as prisões sob acusação de atos preparatórios de terrorismo, com base na lei antiterrorismo, sancionada em março pela presidente afastada, Dilma Rousseff. "Houve um pedido do líder do grupo para os demais para pensarem em possibilidades de financiamento das ações", explicou Moraes. Segundo o ministro, por muito tempo a célula terrorista falava apenas em atentados no exterior. A possibilidade de cometer ataques no Brasil surgiu justamente com a proximidade dos Jogos Olímpicos. Ameaças - Na última segunda-feira (18), a reportagem da ANSA divulgou a notícia de que um grupo no país, autoproclamado "Ansar al-Khilafah Brazil," declarou lealdade ao Estado Islâmico e submissão ao líder do califado, Abu Bakr al-Baghdadi.   


Nos últimos dois dias, a especialista norte-americana em contraterrorismo Rita Katz, que trabalha no SITE Intelligence Group, disse que um canal no Telegram estava dando instruções para atentados nos Jogos Olímpicos do Rio. Entre as técnicas recomendadas, estão envenenamento, sequestros de reféns, acidentes de tráfico, divulgação de falsas ameaças, esfaqueamento e ataques a meios de transporte públicos. As mensagens nas redes sociais também pediram para que os chamados "lobos solitários" (pessoas que atuam sozinhas em ataques) se dirijam ao Brasil. Os posts das útimas 48 horas no Telegram sugerem até que os ataques nos Jogos do Rio sigam os modelos do atentado de 1972 em Munique. As Olimpíadas do Rio de Janeiro ocorrerão entre os dias 5 e 21 de agosto. Devido ao massacre em Nice, na França, quando Mohamed Bouhlel atropelou uma multidão e matou 84 pessoas, o governo brasileiro adotou medidas extras de segurança para os Jogos.   


A estimativa é de que cinco mil homens da Força Nacional de Segurança Pública e 22 mil oficiais das Forças Armadas (14,8 mil do Exército, 5,9 mil da Marinha e 1,3 mil da Aeronáutica), além do contingente fixo do Rio de Janeiro, atuem durante as Olimpíadas. Apenas duas edições dos Jogos Olímpicos sofreram atentados terroristas na história. Em 1972, em Munique, 11 membros da delegação de Israel foram feitos reféns e mortos pelo grupo terrorista palestino Setembro Negro. Cinto terroristas também morreram e outros três foram presos na ocasião. Em 1996, durante os Jogos de Atlanta, uma bomba explodiu no Parque Centenário. Duas pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas. (ANSA)
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