Presos por terrorismo usavam nomes árabes na web, diz juiz

SÃO PAULO, 21 JUL (ANSA) - O juiz Marcos Josegrei da Silva, que autorizou a prisão de 10 suspeitos no âmbito da operação "Hashtag", concedeu coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (21) e disse que havia a possibilidade "concreta" de o grupo se envolver em crimes ligados ao terrorismo.   


No entanto, segundo o magistrado, que trabalha na 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR), ainda não há um "contorno completo" do papel de cada um na suposta célula - os homens teriam entre 20 e 40 anos. O juiz federal afirmou que os crimes analisados são: conduta de integrar ou promover organização terrorista e iniciar atos preparatórios tendentes à prática de terrorismo.   


"Pela análise dos elementos de prova até então trazidos para o inquérito policial, se concluiu que há possibilidade concreta de que os indivíduos incidam em um dos crimes que eu mencionei", explicou Josegrei da Silva.   


Além disso, o juiz acrescentou que os homens presos faziam uma "exaltação" constante de atentados terroristas, com postagens de vídeos e fotos de execuções públicas, mas esclareceu que o objetivo das detenções é investigar se seu comportamento na vida real é condizente com sua postura na internet.   


De acordo com o ministro da Justiça Alexandre de Moraes, o grupo conversava por meio das redes sociais, incluindo Telegram e WhatsApp, e não se encontrava pessoalmente. Alguns já teriam realizado o "batismo" virtual, declarando apoio ao Estado Islâmico (EI). Dois deles têm condenações por homicídio, e um manifestou vontade de comprar um fuzil ilegalmente no Paraguai.   


"Não é um prejulgamento, ninguém foi condenado. Não se está dizendo que há uma célula terrorista no Brasil", salientou Josegrei da Silva. Todos os homens usam nomes árabes na web, embora não tenham essa ascendência. Ameaças - Na última segunda-feira (18), a reportagem da ANSA divulgou a notícia de que um grupo no país, autoproclamado "Ansar al-Khilafah Brazil," declarou lealdade ao Estado Islâmico e submissão ao líder do califado, Abu Bakr al Baghdadi.   


Nos últimos dois dias, a especialista norte-americana em contraterrorismo Rita Katz, que trabalha no SITE Intelligence Group, disse que um canal no Telegram estava dando instruções para atentados nos Jogos Olímpicos do Rio. Entre as técnicas recomendadas estão envenenamento, sequestro de reféns, acidentes de trânsito, divulgação de falsas ameaças, esfaqueamento e ataques a meios de transporte públicos.   


As mensagens nas redes sociais também pediram para que os chamados "lobos solitários" (pessoas que atuam sozinhas em atentados) se dirijam ao Brasil. Os posts dos últimos dias no Telegram sugerem até que eventuais ataques nos Jogos do Rio sigam o modelo do atentado de 1972 em Munique.   


Devido ao massacre em Nice, na França, quando Mohamed Bouhlel atropelou uma multidão e matou 84 pessoas, o governo brasileiro adotou medidas extras de segurança para os Jogos. A estimativa é de que 5 mil homens da Força Nacional de Segurança Pública e 22 mil oficiais das Forças Armadas (14,8 mil do Exército, 5,9 mil da Marinha e 1,3 mil da Aeronáutica), além do contingente fixo do Rio de Janeiro, atuem durante as Olimpíadas. (ANSA)
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