Reunião do G20 começa na China com temores por 'Brexit'

Por Antonio Fatiguso CHENGDU, 22 JUL (ANSA) ? A saída da Grã-Bretanha da União Europeia, o chamado "Brexit", as turbulências sobre os problemas dos bancos europeus e as incertezas sobre a economia global ligadas ao aumento dos ataques terroristas estarão no centro dos debates do encontro do G20 em Chengdu, na China, nos próximos dois dias.   

Há novos cenários desde a última reunião das 20 principais economias do mundo, ocorrida em fevereiro também na China, desta vez em Xangai. Além do fracassado golpe de Estado na Turquia, a Grã-Bretanha votou em junho a saída da UE, a flexibilização da política monetária encontrou espaço no Japão ? que agora segue para um grande plano de estímulos -, os riscos bancários pesam sobre alguns países europeus (incluindo a Itália) e os Estados Unidos preparam-se para as eleições presidenciais incendiárias com o republicano Donald Trump.   

Se há cinco meses, era Pequim quem estava sob pressão por problemas na economia e havia temores pela desvalorização do yuan, desta vez, o líder do Banco Central Chinês, Zhou Xiaochuan, e o ministro das Finanças, Lou Jiwei, terão um papel "não mais de defesa, mas de quase ataque". A afirmação foi feita à ANSA por uma das fontes chinesas que trabalharão no encontro. O primeiro-ministro, Li Keqiang, para antecipar o "humor" dos participantes, lançou um plano para a coordenação das políticas econômicas em escala global, na inédita "mesa redonda 1+6", que reunirá Pequim com os líderes de seis instituições internacionais: Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização Mundial do Comércio (OMC), Organização Mundial do Trabalho e o Financial Stability Board (FSB).   

Antes disso, Li se reuniu com a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, segundo a qual a "nossa recomendação imediata e primaz é de remover as incertezas que circulam por causa do Brexit da maneira mais rápida possível, de maneira que se veja do que se trata e quais as maneiras com as quais o Reino Unido continuará a operar na economia global".   

Antes do Brexit, o FMI estava pronto para aumentar em 0,1% as estimativas globais graças à China, ao Japão e a própria Europa.   

O resultado surpreendente do referendo, no entanto, levou a um corte de 0,1%, derrubando a projeção para 3,1%.   

Sobre o encontro em Chengdu, o secretário do Tesouro norte-americano, Jacob Lew, disse não ver um "momento para ações coordenadas" como ocorreu em 2008 e 2009, mantendo como prioritária a negociação Grã-Bretanha-UE. Para ele, um acordo entre as partes deve ser assinado "com caráter amigável, com empenho pragmático onde o foco deve ser sobre como maximizar a integração e a cooperação".   

Se as perspectivas globais continuam vulneráveis, a China confirmou um crescimento econômico de 6,7% no segundo trimestre e viu o FMI aumentar a expectativa para 2016 em 0,1%. Os temores sobre o yuan, que existiam no fim de 2015, calaram-se. Depois da inclusão da moeda no painel do FMI, a moeda se valorizou em 2,5% sobre o dólar. O país causa menos medo e deve ser um porto seguro para a economia. (ANSA)
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