Em reunião com May, Renzi pede 'bom senso' pós-Brexit

ROMA, 27 JUL (ANSA) ? O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, recebeu nesta quarta-feira (27), em Roma, sua homóloga britânica, Theresa May, e pediu "bom senso" para "deixar claro" o futuro da Grã-Bretanha e da União Europeia após o chamado Brexit.   

"Estou muito feliz em dar as boas vindas à nova primeira-ministra inglesa, uma oportunidade para trabalhar juntos para tornar o mais claro possível o caminho do Reino Unido. A saída foi uma decisão do povo britânico e respeitamos.   

Ela pede da parte de todos muito bom senso, tempos claros e a certeza de ter um caminho", disse Renzi na declaração pública após o encontro com a líder britânica.   

A referência ao tempo se deve ao fato do governo britânico ainda não ter ativado o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que dá início oficialmente ao processo de saída de um país da União Europeia.   

Por sua vez, May destacou que "ainda precisamos de tempo para ambas as partes iniciarem" o melhor percurso para esse processo de separação. Segundo a líder, "com o Brexit, os cidadãos ingleses pedem um maior controle sobre a livre circulação e nós percebemos que precisamos chegar ao melhor acordo possível no comércio de bens e serviços, não aceitando um modelo pronto, mas preparando o melhor".   

Entre os principais líderes europeus, o premier de Roma foi o que se demonstrou menos "desesperado" pela decisão das urnas britânicas. A todo momento, desde que o anúncio da vitória do "Leave" foi anunciado, Renzi pede que a Europa "vire a página" e siga seu caminho unida.   

Além disso, o Brexit acabou catapultando a Itália a uma liderança no bloco, ao lado da Alemanha e da França. Esse ponto de vista pode ser visto em um dos momentos do discurso, em que o premier afirmou que o "próximo ano será uma extraordinária oportunidade para a UE, para falar do futuro europeu. A Europa foi um milagre, estamos muito felizes com os resultados obtidos, mas agora é um momento de construir um novo futuro".   

Renzi ainda ressaltou que seu governo está "particularmente interessado" em trabalhar com os britânicos para "deixar o mais eficaz possível este percurso difícil". "É de interesse de todos ter uma linha de tempo precisa, que agilize as ações e dê certezas. Isso vale para quem fica na UE.   

Precisamos colher a oportunidade para buscar o relançamento do ideal europeu. Os latinos já diziam ex malo bonum", disse Renzi citando o ditado "há males que vem para o bem". O premier ainda ressaltou que a saída do bloco "não muda em nada a necessidade de manter os laços" que unem as duas nações. "A relação cultural, institucional e de valores que liga a Itália e o Reino Unido é de uma força extraordinária, dura há séculos e, seguramente, continuará a andar para frente", ressaltou.   

- Terrorismo: Os dois líderes ainda aproveitaram a reunião para debater as questões que afligem o continente, como a crise imigratória e o combate ao terrorismo. Este último, garantiram ambos, não terá nenhuma mudança significativa por parte de nenhum dos dois governos.   

"Nenhuma passagem democrática mudará o princípio da luta comum ao terror. Podem-se mudar governo, as siglas políticas, mas não se muda a luta contra o terror e a afirmação dos valores identitários", disse Renzi.   

Seguindo a mesma linha, May confirmou que seu país continuará trabalhando junto com os países europeus para derrotar o terrorismo. "As relações de segurança com todos os Estados-membros da UE são fundamentais para todos nós porque todos precisamos enfrentar as ameaças do terrorismo", conclui a britânica dizendo que seu país deixou o bloco "mas continuamos a ser parte da Europa. (ANSA)
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