Venezuela repudia aliança contra seu governo no Mercosul

CARACAS, 3 AGO (ANSA) - O governo de Nicolás Maduro denunciou Brasil, Argentina e Paraguai por se unirem contra seu país, defendendo que a Presidência do Mercosul está vaga, após a Venezuela assumir o cargo de forma unilateral nos últimos dias. A "Venezuela, em pleno exercício de sua Presidência pro tempore do Mercado Comum do Sul (Mercosul), denuncia as maquinações da direita extremista do sul do continente, formando uma nova Tríplice Aliança, que vem atuando de maneira sorrateira através de manobras, tentando impedir o que por direito lhe corresponde", denunciou, em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores venezuelano.   

Ainda de acordo com a nota, Brasília, Buenos Aires e Assunção tentam "reinventar uma espécie de Operação Condor", estratégia político-militar conjunta das ditaduras dos países do Cone Sul, contra Caracas.   

Para os diplomatas venezuelanos, as pessoas por detrás desse plano sempre conspiraram contra a união sul-americana com o objetivo de impor as vontades de Washington, tentando acabar com a Revolução Bolivariana, iniciada por Hugo Chávez. Em entrevista ao site latino-americano de notícias "Telesur", a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez , disse que "não existem argumentos jurídicos que evitem que a Venezuela assuma a Presidência" do Mercosul.   

Após impasse que durou diversos dias -- e causou o cancelamento de uma cúpula de chefes de Estados do bloco -- , os diplomatas do Uruguai, que presidia o Mercosul no último semestre, decidiram na última sexta-feira anunciar o fim de seu mandato, sem no entanto, transmitir o cargo a Caracas. A presidência rotativa do Mercosul é revezada de forma alfabética e, após o Uruguai, era previsto que a Venezuela assumisse o cargo. Desta forma, o governo de Nicolás Maduro enviou uma carta aos outros membros neste final de semana informando-os que assumiria automaticamente a Presidência. A iniciativa foi rejeitada primeiramente pelo Paraguai e, em seguida, por Argentina, que propôs uma nova reunião do Conselho para resolver a crise, e Brasil. Os argumentos formais para justificar a decisão são de ordem técnica, de que a Venezuela não cumpriu suas obrigações para assumir como membro do bloco, mas na realidade existe um conflito político. Brasília, assim como o governo de Assunção, também se preocupa com as severas crises econômica e política pelas quais passam o país. Além disso, existem boatos de que os membros do Mercosul temem que, uma vez na liderança do bloco, as autoridades de Caracas possam desacelerar o tão esperado acordo de livre comércio com a União Europeia (UE), cujas negociações tomaram novo fôlego recentemente.(ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos