Entre selfies e abraços: As duas horas de Renzi em SP

Por Lucas Rizzi SÃO PAULO, 04 (ANSA) - Foram apenas duas horas, mas São Paulo não podia ficar de fora da primeira visita oficial do premier da Itália, Matteo Renzi, ao Brasil. No país para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, o primeiro-ministro mais jovem da história da nação da bota - ele assumiu o cargo aos 39, hoje tem 41 - abriu espaço na agenda para conhecer, em suas próprias palavras, a maior cidade de italianos do mundo.   

Durante sua rápida passagem pela capital paulista, foi apresentado ao pastel, corrigiu a pronúncia italiana de crianças brasileiras, se encantou com a vista do Terraço Itália e cumprimentou uma inesperada multidão de fãs, tudo em meio a muitas frases de efeito e selfies.   

Renzi chegou ao Edifício Itália por volta de 16h e logo subiu para o celebrado bar de sua cobertura. Após apertos de mão com cozinheiros e garçons e sempre cercado de cicerones, caminhou até as janelas de vidro do café e não escondeu a surpresa. "Uau! Que vista matadora!", exclamou, olhando admirado para a imensidão de prédios que se descortinava sob seus olhos.   

Sem tempo para apreciar especialidades italianas, desceu para uma das salas do Terraço Itália, onde acontecia uma reunião de um comitê criado em São Paulo para defender o "sim" no referendo constitucional que Renzi quer realizar em outubro. Uma reforma que, se aprovada pelo povo, cortará os salários dos senadores e reduzirá drasticamente os poderes da Câmara Alta.   

No caminho, foi apresentado ao pastel, mas parece não ter se empolgado muito. "Me falaram de pastel e ovo frito, mas disseram que o pastel tem 500 calorias, e o primeiro-ministro não pode engordar", afirmou Renzi minutos mais tarde e pronunciando "paixtel", com um evidente sotaque carioca - antes de São Paulo, ele passou pelo Rio de Janeiro.   

Rodeado por representantes da comunidade empresarial italiana, prometeu dar mais atenção ao Brasil. "Em muitos países onde podíamos ter tido um papel importante, não o fizemos por causa da instabilidade dos nossos governos. Foram 63 governos em 70 anos. O Brasil representa uma grande chance para a Itália", salientou.   

A etapa seguinte foi no Circolo Italiano, que fica no mezanino do Edifício Itália. Sua entrada no auditório foi digna de um popstar. Centenas de pessoas se exprimiam atrás de uma barreira de cadeiras para conseguir uma palavrinha que fosse do primeiro-ministro, que parava aqui e ali para atender os fãs.   

Atrás dele, um brasileiro tentava encontrar alguma maneira de lhe entregar dois livros sobre o Circolo, enquanto um isolado carabiniere (o policial militar italiano) acompanhava tudo à distância, mas com olhos atentos - com exceção de um breve momento em que posou para uma foto.   

No palco, Renzi manteve seu estilo habitual: frases de efeito, improvisos e bom humor. Suas primeiras palavras foram "boa tarde", pronunciadas em cada letra, como jamais faria um paulistano. O esforço parece ter ficado em sua cabeça. Ao descobrir que crianças de uma escola italiana de São Paulo estavam presentes, perguntou qual era o nome do colégio. "Dante Alighieri", responderam os pequenos, falando o "i" no lugar do "e" que encerra o nome do poeta.   

"'Danti' não! Não me digam 'Danti'! Eu me esforço para dizer 'boa tarde', então vocês devem falar 'Dante'", brincou o premier, sendo repetido por um coro de vozes infantis que, desta vez, pronunciaram o nome à la italiana.   

O discurso de Renzi no Circolo deu bastante destaque ao tema da imigração. Ele lembrou como, décadas atrás, eram italianos os que morriam tentando atravessar o Atlântico e que muitos dos que estavam ali descendiam de famílias que tiveram coragem de subir em um navio em busca de uma vida melhor.   

"Para honrar seus país e avós, é preciso partilhar os grandes valores da nossa cultura, de que quando se vê alguém no mar, ao invés de virar o rosto, como querem alguns, é preciso salvá-lo", disse, antes de pedir a exibição de um vídeo que mostrava os principais pontos turísticos do país da bota.   

Ao deixar o auditório, Renzi recebeu mais um "bagno di folla" - - como dizem os italianos -, ou "banho de multidão". Entre selfies e rápidos cumprimentos, chegou, às 18h, no carro que o levaria ao aeroporto. Antes de fechar a porta, ouviu uma mulher gritar em alto e bom som: "Matteo, precisamos de você, precisamos de você para difundir a língua italiana, precisamos de você!".   

No lado de dentro, reinava a calma que sobrevém ao caos. Alguns sequer entendiam o que tinha acontecido. "Nem sei quem era o homem. Pagar minhas contas, ninguém quer", disse uma ascensorista que treinava um colega em um dos elevadores do Edifício Itália. "É sempre assim: esses estrangeiros vêm aqui e nunca deixam uma gorjeta", reclamou o outro. (ANSA)
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