Com Jogos, Brasil terá que combater nova forma de terrorismo

Por Beatriz Farrugia SÃO PAULO, 5 AGO (ANSA) - Nada de zika vírus, de crise política ou de poluição na Baía de Guanabara. A maior ameaça para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que começam oficialmente hoje (5), é o terrorismo. Com um mês de julho sangrento que entrou para a história com o maior número de atentados na Europa, agosto se abre com as Olimpíadas e impõe ao Brasil um desafio que perturba há mais de dois anos o mundo todo: como lidar com a nova forma de terrorismo baseada na atuação de lobos solitários e de redes sociais. Durante a preparação para os Jogos do Rio, pouco se falou sobre terrorismo. O surto de zika vírus, que fez atletas de peso desistirem do torneio, e o processo de impeachment da presidente Dilma Rouseff ganharam as manchetes dos jornais internacionais e suscitaram debates calorosos sobre a capacidade do Brasil de sediar a maior competição esportiva do planeta. No entanto, desde o fim de maio, simpatizantes do grupo extremista Estado Islâmico (EI, também chamado de Isis, em inglês, e de Daesh, em árabe) e braços da Al-Qaeda têm publicado ameaças e manuais de atentados contra os Jogos do Rio, além de mensagens -- até mesmo em português -- para recrutamento de jihadistas As movimentações na web, principalmente no Twitter, um dos meios mais usados pelo EI, e no Telegram, aplicativo similar ao WhatsApp adotado mais recentemente pelos jihadistas, levaram à Polícia Federal e à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) a fazerem prisões inéditas baseadas na lei antiterrorismo. Mas ainda restam dúvidas sobre como deter as novas faces do terrorismo. "Precisa haver um monitoramento constante para este tipo de ameaça e observar o comportamento destes tipos de pessoas que se envolvem com terrorismo nas redes sociais. Não existe um biotipo nem um perfil para os lobos solitários", disse André Luis Woloszyn, analista de assuntos estratégicos e especialista em segurança pública, em entrevista à ANSA. "O terrorismo é muito dinâmico. Não estamos tratando com as lideranças do Estado Islâmico. Qualquer pessoa é amadora até cometer, de fato, um atentado. O lobo solitário não precisa nem ser terrorista. Pode ser qualquer ser humano com uma instabilidade emocional e propensão ao radicalismo", completou o especialista.   


Com uma estratégia mais organizada que os outros grupos terroristas nas redes sociais, o Estado Islâmico tira proveito da rapidez da Internet e da facilidade em apagar seus rastros on-line. Em um dia, uma ameaça surge. No outro, acaba. Horas depois, reaparece num continente diferente pelas mãos de simpatizantes.   


"Isso dificulta muito qualquer órgão de defesa, porque os lobos solitários são autodidatas", admitiu Woloszyn.   


Na década passada, a Al-Qaeda treinava, planejava e executava diretamente os atentados. Já o Estado Islâmico, que assumiu o posto de principal ameaça mundial nos últimos três anos, logo percebeu que basta incentivar pessoas a agirem em seu nome para que o terrorismo se propague. "O terrorismo moderno é um fenômeno de grande alcance a partir do qual nenhum país é insuscetível. Nas mídias sociais, os jihadistas agora ampliam seus tentáculos a qualquer lugar onde haja uma conexão com a internet", disse a analista norte-americana de contraterrorismo Rita Katz, fundadora do SITE Intel Group.(continua)
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