Parte 2 - Brasil terá que combater nova forma de terrorismo

SÃO PAULO, 5 AGO (ANSA) - Continuação - Um levantamento publicado em março de 2015 por J.M Berger e Jonathon Morgan diz que o Estado Islâmico gerencia suas atividades no Twitter através de 12 contas centrais, as quais estão ligadas às lideranças do grupo. Algumas dessas páginas são usadas exclusivamente para divulgar mensagens oficiais, enquanto outras têm foco em recrutamento de jihadistas, intimidação política, networking para atrair mais seguidores e promoção de atentados por lobos solitários.   

Além dos próprios perfis gerenciados pela cúpula do EI, milhares de simpatizantes criam contas com até 500 seguidores no Twitter para difundir as mensagens do grupo e interagir com os extremistas. Essas pequenas "células" conseguem difundir as mensagens de maneira mais discreta que as páginas mais famosas do Twitter.   

O Estado Islâmico também cria mecanismos de dissuasão contra internautas regulares, jornalistas, pesquisadores e agentes de inteligência, através uma interface que faz os perfis parecerem desativados ou fora do ar, quando, na verdade, estão em operação.   

Atualmente, há ao menos 46 mil contas vinculadas ao EI no Twitter, sendo que 30 mil destas seriam controladas por pessoas e as outras 16 mil, por programas informáticos conhecidos como "bots".   

A maioria das mensagens é publicada em árabe, mas 18% são escritas em inglês e 7%, em francês. Com a proximidade dos Jogos Olímpicos, o Brasil entrou na mira dos terroristas e começaram a surgir mensagens também em português. De acordo com Rita Katz, os Jogos Olímpicos são, "por natureza simbólica, um alvo para grupos terroristas". Sóchi, em 2014, e Pequim, em 2008, também receberam ameaças em suas edições. "O governo brasileiro deve estudar esta nova forma de jihadismo de maneira contínua. Os elementos de análise devem incluir o discurso em português, as contas em redes sociais, os objetivos de expansão, as ameaças que circulam nas redes sociais e as plataformas de tecnologia usadas", comentou Katz. A ameaça mais recente contra os Jogos Olímpicos foi publicada na tarde desta sexta-feira, a poucas horas da cerimônia de abertura no Maracanã, e registrada em canais do Telegram. Para o especialista em processo penal Daniel Leon Bialski, o Brasil precisa usar todos os recursos disponíveis para combater as ameaças, desde monitoramento de redes sociais até a aplicação da lei antiterrorismo. "É uma lei que traz dispositivos novos, que trata os radicais de forma radical. Qualquer dúvida, qualquer suspeita de pessoas que queiram se organizar para tentar iniciar um processo de terrorismo pode ser detida ou sofrer medidas de retaliação", disse à ANSA. "O Brasil, aprovando uma legislação que pune tudo isso, dá um grande passo que diz: o país não será hospedeiro e nem vai ficar quieto se vocês vierem aqui praticar qualquer tipo de ato. A prevenção é o melhor remédio. É melhor extrapolar o poder de vigilância do que lamentar a morte de dezenas de pessoas no futuro". (ANSA)
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